Especial Studio Ghibli: Contos de Terramar

Filme está entre as novas adições da Netflix.

Especial Studio Ghibli: Contos de Terramar

Sem luz não há trevas. Sem tristezas não há felicidade.

Assim início o review sobre Contos de Terramar (Gedo Senki), uma animação de 2006 do Studio Ghibli que conta a história de Arren, um jovem de 17 anos que, sendo filho do Rei, comete um ato terrível e foge de seu povo na tentativa de se safar das consequências de seu ato. 

O filme aborda uma história que mistura a realidade ao mítico, o que ao meu ver, tem muita base em mundo real que outrora já foi mais ligado ao espiritual e tudo aquilo que se sente, mas não se pode ver. Arren está numa espécie de jornada espiritual, buscando encontrar seu verdadeiro eu que se perdeu em meio às dúvidas de quem ele era e quem ele deveria ser. Ele está perdido, sem medo da morte e longe de compreender a grandeza que há até mesmo nas tristezas da vida.

Julgar Arren é quase impossível, se você conseguir reconhecer em si o quanto você também já esteve perdido em algum momento da sua vida. Toda dúvida que vai de encontro a nós mesmos, nos leva a caminhos de dor, perdas, inconsequências e leviandades. E isso é muito bem representado quando Arren se deixa levar pela sua arrogância, e em outros momentos, ingenuidade.

©2006 Nibariki – GNDHDDT. All Rights Reserved.

Outros personagens entram no caminho de Arren para ensiná-lo a compreender os tons da vida. O grande mago Gen é um deles. Um homem dotado de grande sabedoria que chegou ao ápice do autoconhecimento e que reconhece em si o grande desequilíbrio que há na cidade de Terramar. É dos diálogos de Gen com Arren que foram arrancadas as minhas maiores reflexões do último mês de fevereiro. Pois, em momentos em que muitos não aceitariam sua condição, Gen ensina que a sabedoria vem a partir do momento que você deixa de viver para si.

Mais além disto, há Theru. Uma jovem moça que sofreu muito em sua vida e usa da agressividade para se defender do mal que sempre vem transvestido de boas causas e falsas melhorias para os outros. Theru é autêntica e severa por razões que só assistindo para você entender e traz a história uma profundidade absurda, principalmente, depois de vê-la cantando olhando para o horizonte sentindo no peito a dor de ser quem é.

©2006 Nibariki – GNDHDDT. All Rights Reserved.

Não poderia deixar de falar de Kumo, a personagem que tenta destruir de vez o equilíbrio na terra ao buscar intermitentemente por sua imortalidade. Kumo é o mal transvestido boas causas que citei acima. É aquele tipo de pessoa que fala o que precisa ser dito, faz o que precisa ser feito. Sem escrúpulos ou princípios, somente para chegar ao seu objetivo. Não há boas intenções em Kumo. O que ensina muito a não tirar conclusões boas, porém precipitadas de pessoas que falam muito de si, enquanto são simpáticas.

Contos de Terramar vai muito além do que qualquer palavra que eu tentar colocar aqui. Eu fiquei profundamente tocada e reflexiva sobre o mundo e as pessoas. As falas são de uma profundidade tão melancólicas que é natural perceber a beleza que há nesta animação. Eu, humildemente, recomendo que você assista essa história de peito aberto e atento as todas as nuances e aprendizagens que Gorō Miyazaki (diretor do filme e filho de Hayao Miyazaki) nos transmite por essa maravilhosa animação japonesa.

Contos de Terramar está disponível no catálogo da Netflix.


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