Review| Além das fronteiras do espaço – The Outer Worlds

Encontre um universo de referencias memoráveis nesse RPG

Review| Além das fronteiras do espaço – The Outer Worlds

The Outers Worlds foi um jogo que me fez refletir em relação a mistura de gênero action-RPG com visão em primeira pessoa como nenhum outro jogo da mesma geração me obrigou a fazer, uma vez que, esse certamente traz uma carga grande de nostalgia em relação a games do mesmo estilo nos consoles passados, como minhas primeiras experiencias com o consagrado Fallout 3. Inicialmente quando comecei minha jornada pelas histórias de Fallout me deparei mais com um jogo pálido e sem entender muito de seu contexto o que acabou me deixando frustrado, mas conforme fui amadurecendo e entendendo as perspectivas do enredo do jogo me permiti criar uma conexão profunda com o game, o mesmo sentimento me fez criar uma proximidade com a proposta de The Outer Worlds.

Logo de cara fiquei impressionado com um menu inicial que não me jogava conteúdos extras para download ou um multiplayer, basicamente ele era composto por uma opção de novo jogo, configurações e os créditos, em seguida uma introdução que nos lança informações indiretas do que ocorre no atual mundo do game, passando logo para a personalização de atributos e habilidades do seu personagem. Nessa parte é impossível não o associar a algum jogo da série Fallout.

The Outers Worlds foi publicado pela Private Division e desenvolvido pela Obsidian Entertainment, a qual trabalhou na criação de jogos como Dungeon Siege 3 e nada menos que Fallout: New Vegas, é daí que percebemos tantas características familiares no game. E um detalhe que não podemos deixar passar é que o jogo é dirigido por Tim Cain e Leonard Boyarsky, que são apenas os criadores da franquia Fallout. O jogo esta disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC.

Grandes universos, Grandes negócios.

O enredo do game não é inédito, mas é engenhoso, basicamente ele nos remete a um futuro distópico alternativo em que as grandes corporações dominam o mundo, e isso se dá pelo fato de que Theodore Roosevel nunca assumiu o cargo de presidente na linha de tempo da história americana e William McKinley continuou como governante, permitindo que no futuro megacorporações iniciassem uma corrida para colonizar a terra e formar planetas extraterrestres, um toque de Borderlands ao roteiro, esse é o conceito no qual o jogo se orbita (orbita, piadinha com astros).

O primeiro personagem que conhecemos no jogo é o excêntrico Phineas Vernon Welles, um cientista fugitivo que nos acorda do sono criogênico na nave colona Hope, onde habitam inúmeros outros colonos congelados, e busca nossa ajuda para conseguir recursos para ele, além de descobrirmos que o tempo para despertar já havia sido ultrapassado.

Seguimos então para uma colônia próxima, Bonança, é aqui que toda dinâmica do jogo ocorre. Bonança fica situada nos confins do universo e é localizada num sistema solar que é completamente dominado por atividades corporativas e operado pelas mesmas, a principal corporação em comando no sistema é o Conselho, que exerce suas funções compatíveis com as de um governo, ao se instalar nesse sistema solar suas promessas foram de liberdade, igualdade e trabalho para toda população, uma utopia capitalista, porém isso acabou ficando apenas na teoria e a sociedade nesse lugar se encontra em clima de se colapsar, uma certa semelhança com BioShock.

Porem a população se tornou tão fiel a esse estilo de vida que o defende com veemência, pois é o único estilo que os habitantes dessa terra conhecem, mesmo estes sendo levados ao extremo das atividades desumanas, um cenário existente no jogo é de comunidades que são propriedades de empresas, as vidas dessas pessoas são pertencentes a essas corporações e se elas falham em seus trabalhos por conta de cansaço, de doenças ou mesmo se morrerem é por sua própria inabilidade. Obviamente serve como uma crítica quanto ao estilo de vida dos tempos modernos, mas tudo isso no jogo é tratado de forma satírica, propositalmente para fazer os jogadores terem a chance de refletir, esse ambiente pesado ao mesmo tempo cômico é um dos fatores fortes do jogo.

“O mundo de The Outer Worlds seria trágico, se não fosse cômico” (Reprodução/IGN)

Os personagens do jogo são outro destaque, por terem um senso de humor carregado e carisma, seja fazendo piada com as condições de vida nada agradáveis em que vivem ou mesmo recitando os slogans das empresas, que estão em suas cláusulas contratuais, que se deixadas de serem feitas podem até mesmo custar suas vidas. Um dos personagens que mais me agradou foi um vendedor obrigado a passar o resto de sua vida com uma cabeça de lua por conta de seu contrato.

“Os mais variados tipos de personagem e seus inesquecíveis trejeitos” (Reprodução/gamebyte)

A experiencia em mundo aberto do jogo também é outro diferencial, aqui você vai pulando de planeta em planeta e em estações espaciais, em belos cenários com boa extensão, muitos cheios de luzes de neon e outdoors holográficos com os logos das empresas e diferente dos clássicos RPG’s do estilo, onde temos uma extensão grande de mapa e vamos descobrindo diferentes pontos de referência nestes. Cada planeta diferente é carregado com itens e missões secundarias para aumentar sua experiencia no jogo, mas é um sistema de missões bem restrito, por exemplo, recuperamos um item e o retornamos ao fornecedor da missão, e claro podemos tomar algumas decisões morais divertidas quando lidamos com os NPC’s.

Explore os mundos e suas habilidades

Como disse anteriormente, o começo do jogo te dá a possibilidade de personalizar seu personagem e distribuir seus pontos iniciais de atributo, habilidade e aptidão, essa última funciona de forma interessante, mesmo distribuindo os pontos de nosso personagem em algum atributo ou habilidade especifica, podemos especializar nosso personagem inteiramente numa aptidão, se eu colocar pontos em uma categoria como dialogo, terei um aprimoramento persuadir, mentir e intimidar.

Além disso, desbloqueamos uma nave que serve como home para nosso protagonista depositar itens e realizar viagens rápidas. O jogo funciona com o sistema de leveis clássico para esse estilo de action-RPG onde ganhamos pontos para distribuir e realizar melhorias de status no protagonista.

Podemos conversar com NPC’s e nesses diálogos podemos fazer escolhas do que vamos dizer, algumas dessas escolhas são influenciadas pelo status do personagem que criamos, como em Fallout, podemos usar nossa inteligência e carisma, por exemplo,  para convencer as pessoas e essas decisões de dialogo podem ate mesmo causar ramificações no enredo do game e influenciar no decorrer de seus acontecimentos, ainda podemos responder de maneiras diferentes aos NPC’s sendo arrogantes ou mesmo complacentes.

Não podia faltar o recrutamento de NPC’s também, e em especial cada personagem que você recruta tem suas próprias missões e sua narrativa de fundo, além de poderem desenvolver suas próprias especializações de combate, conforme lideramos nossa equipe melhoramos seus atributos de força e resiliência também, podemos ter até dois companheiros na party te acompanhando nas viagens, enquanto o resto permanece em sua nave.

O combate segue aquela já conhecida perspectiva em primeira pessoa, onde podemos usar um arsenal de armas brancas e armas de fogo, e essa possuindo personalizações para adicionar dano Elemental e ainda variações de munição: leve, pesada ou de energia, e ainda se você não curtir sair atirando em tudo que se move, você pode investir em habilidades de persuasão ou futilidade, nessa questão o jogo se diversifica bem.

Além do sistema de leveis, o jogo apresenta pericias técnicas divididas nas categorias: Ciência, Medicina e Engenharia. Liberar essas habilidades garante vantagens únicas para o personagem que você construir liberando vantagens durante sua campanha e melhorando sua eficiência de combate. Um mecanismo parecido com o V.A.T.-S de Fallout: New Vegas foi adicionada ao jogo, em que o jogador entra numa espécie de estado de “dilatação temporal tática” permitindo ao jogador tomar a melhor decisão a ser tomada durante o combate diminuindo o tempo e revelando a saúde do inimigo.

O seu personagem ainda pode desenvolver “defeitos” quando falhamos repetidamente em algum segmento do jogo isso gera um defeito que podem, por consequência, causar empecilhos em sua campanha, porem esses defeitos podem render vantagens de status.

“Encarando toda a diversidade do universo, na cara e na coragem” (Reprodução/VGC)

Tons de humor na arte

Os gráficos do jogo são certamente belos, a composição de luz e sombra combinam muito com esse ambiente retro futurístico e extraterrestre, os logos cartonados das companhias iluminados de neon, os cenários de selva ou das indústrias, tudo muito fiel ao contexto em que a história está sendo contada. As expressões dos personagens ajudam muito com essa relação de alegria e dor no universo de The Outer Worlds, e isso é um fator importante para jogo uma vez que reflete como a situação das pessoas desse universo é sofrível, mas mesmo assim elas aceitam seu fadado destino.

A engine que carrega toda a estrutura gráfica do jogo é a Unreal Engine, mostrando mais uma vez sua incrível versatilidade e potencial. O jogo tem alguns bugs, obviamente por conta de sua proporção, mas nada que já não fosse esperado, uma vez que jogos nesse estilo apresentam sempre esse mesmo problema, apesar disso não é algo que comprometa sua jogabilidade. A dublagem do jogo também é ótima, as vozes combinam com os personagens caricatos, o humor nunca deixa de ser pouca coisa nesse jogo, e acertaram isso ate com as vozes dos NPC’s, as músicas até animam, mas não chegam a ser marcantes, atenção realmente está no visual do jogo e em sua gameplay.

“Luzes de neon e jingles corporativos compõem o mundo de The Outer Worlds.” (Reprodução/The Outer Worlds Wiki – FANDOM)

Pontos positivos:

– Mecânicas de fácil compreensão

– Personagens e enredo cativantes

– Combate dinâmico e simples

– Liberdade na tomada de decisões

– Tarefas que complementam a narrativa do jogo

Pontos negativos:

– Problemas em algumas mecânicas gráficas e bugs

– Algumas missões são maçantes

– IA dos companheiros da party pode atrapalhar

Nas palavras das grandes corporações, um ótimo investimento.

Em resumo, The Outer Worlds, alcança seu objetivo não sendo uma grande obra-prima com um enredo primoroso, mas sim um jogo para nos desvincularmos desse padrão de hoje, com jogos que tentam alcançar grandes níveis cinematográficos com histórias tão complexas quanto podemos entender, esse não é o caso de The Outer Worlds, assim como as animações que passavam no sábado de manhã na sua infância, o jogo procura isso, uma gameplay descompromissada, focado no humor, mas sem ser vulgar, e que passa uma mensagem ao jogador e ainda sim proporciona boas horas de diversão.

Se você procura todas essas características num jogo, então pode ter certeza que The Outer Worlds atendera suas necessidades. Apenas sentar e curtir, essa praticamente a mensagem do jogo.


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