Pokémon Sword & Shield vaza na internet e Nintendo reage; entenda o conflito

Galar vazou e a Nintendo surtou

Pokémon Sword & Shield vaza na internet e Nintendo reage; entenda o conflito

ATENÇÃO: o post a seguir não possui imagens dos Pokémon vazados, em respeito à propriedade intelectual da Nintendo e da The Pokémon Company. Caso esteja interessado, sugerimos procurar as imagens por sua própria conta e risco.

No último fim de semana, imagens do que seriam as evoluções dos monstrinhos iniciais de Pokémon Sword & Shield surgiram na internet. Através do Twitter, elas foram divulgadas e deixaram os fãs em polvorosa. Sob acusações de que eram falsas (as cores dos Pokémon estavam berrantes demais) e suspeitas de vazamento, mais fotos de monstrinhos continuaram aparecendo, e diversas páginas do Twitter começaram a compartilhar e espalhar as fotos. Dentro de algumas horas, todos tinham certeza: de alguma forma, o jogo havia vazado e alguém estava jogando, registrando os monstrinhos na Pokédex e postando suas fotos online.

Parando apenas para dormir (o que deixou os fãs irados), o leaker (do inglês leak, que significa vazamento, leaker seria o “vazador” do conteúdo) acabou compartilhando fotos da Pokédex INTEIRA, registrando 400 monstrinhos e, entre eles, os lendários Zacian, Zamazenta e Eternatus. Usando a hashtag #SpoilerSwSh, os fãs de Pokémon tentaram fugir dos spoilers, compartilharam os mesmos e discutiram arduamente na internet.

Graças ao marketing da The Pokémon Company, que revelou pouquíssimas informações sobre os jogos e nem mesmo mostrou as evoluções dos Pokémon iniciais (diferente do que ela tem feito há anos), a internet estava sedenta e desesperada por informações, e finalmente ficou satisfeita depois dos vazamentos. Ao mesmo tempo, um guia ilustrado do jogo também foi vazado através de fotos, e foram reveladas formas Gigantamax de Machamp e de novos monstrinhos da região de Galar (que já faziam parte de rumores existentes há meses dentro da comunidade de fãs e foram confirmados através deste vazamento).

Os iniciais Grookey, Scorbunny e Sobble finalmente tiveram suas evoluções reveladas ao público – Reprodução/Gamersnet

Porém, as fotos do guia eram, em sua maioria, tremidas e de baixa qualidade, inclusive postadas até mesmo de cabeça para baixo devido à pressa do leaker. A conclusão dos fãs foi a mesma: a pessoa que estava vazando imagens do jogo e a pessoa que vazou imagens do guia NÃO eram a mesma, mas começaram a vazar em momentos estranhamente próximos; coincidência? Graças ao padrão de postagens dos vazamentos do guia, algumas pessoas chegaram a especular que este leaker seria alguém que trabalha em alguma loja e teria tido acesso ao guia no armazém da mesma. Assim, ele tiraria as fotos quando possível e postaria apressadamente, sendo cauteloso para evitar o flagrante.

Para se ter ideia da abrangência do “evento”, arquivos desconhecidos com tamanho aproximado de 10 GB (o tamanho oficial dos jogos, divulgado pela Nintendo) começaram a ser compartilhados na internet, sendo supostamente os próprios jogos que estariam disponibilizados para serem jogados através de emuladores. Aqueles que se atreveram a baixar, no entanto, tiveram uma surpresa desagradável: os 10 GB eram compostos por pornô de golfinhos.
As trolladas não pararam por aí: muitos fãs começaram a criar monstrinhos falsos usando programas de desenho e edição (como o Photoshop) e tentaram emplacá-los como se fossem vazamentos oficiais. A confusão aumentou quando os fãs não sabiam mais o que era oficial e o que era mentira, e aqueles com o olhar mais “apurado” conseguiam diferenciar as montagens e esclareceram a situação.

Com os dois vazamentos simultâneos, YouTubers começaram a produzir vídeos sobre o assunto. Alguns decidiram mostrar e comentar os vazamentos, enquanto outros apenas avisaram seu público e decidiram não tomar parte na situação. Durante todo o fim de semana, tanto a Nintendo quanto a The Pokémon Company permaneceram caladas… Até a noite de domingo.
Neste momento, alguém teria vazado informações pessoais sobre o leaker dos jogos (rumores indicam que foi através de uma foto), e a Nintendo teria realizado uma investigação até rastrear o Facebook do responsável e, assim, encontrá-lo. Dessa forma, os vazamentos foram encerrados (porém, praticamente todos os monstrinhos já haviam sido mostrados) e não se teve mais notícias do leaker; rumores dizem que a Nintendo o encontrou e que tomará as decisões cabíveis para processá-lo.

Camaleão, um dos YouTubers de Pokémon mais famosos do Brasil, expondo a realidade da situação.

Páginas brasileiras como a Vida de Treinador no Twitter fizeram uma cobertura completa dos vazamentos, inclusive mostrando as linhas evolutivas completas, explicando conceitos dos monstrinhos e dando detalhes traduzidos, o que ajudou os fãs brasileiros. Contudo, em momentos como este (o vazamento de Sword & Shield foi o primeiro grande vazamento de um jogo do Nintendo Switch), é importante se perguntar: quando o marketing de uma empresa é “falho”, se torna justificável os consumidores fazerem justiça com as próprias mãos?

Jogos anteriores de Pokémon já tiveram informações vazadas antes do lançamento; em Pokémon Sun & Moon, lançado em 2016, a Pokédex inteira foi vazada através de um datamining feito na demo do jogo, que continha informações sobre todos os monstrinhos presentes na versão final. Fãs de Pokémon são, geralmente, ávidos por informações, novidades e imagens, e como a franquia se sustenta praticamente em seus monstrinhos, faz sentido que seus fãs e consumidores estejam sempre ansiosos para vê-los.

Galarian Ponyta foi o último Pokémon novo a ser revelado oficialmente (sem contar os Gigantamax) até o momento; seu trailer foi mostrado há 3 semanas – Reprodução/Newsweek

A The Pokémon Company decidiu realizar um marketing baseado em mistério, revelando poucas informações dos jogos e dos monstrinhos presentes. A atitude não foi bem recebida por boa parte dos fãs, que exigiam ver mais do jogo para decidir se o comprariam (e até mesmo decidir a versão). Assim, os leakers foram recebidos na internet com duas reações diferentes: como heróis e como vilões. É claro que a atitude de vazar informações de um jogo não lançado de forma ilícita é um crime em cima da propriedade intelectual da Nintendo, passível sim de processo por parte da mesma, com toda a razão. Porém, a atitude foi benéfica para boa parte da comunidade, de certa forma, ao fazer por eles o que a própria The Pokémon Company não fez: vender o jogo.

De qualquer forma, a jornada dos leakers se encerra aqui. Faltam cerca de uma semana e meia para o lançamento oficial do jogo (que chegará às mãos dos jogadores em 15 de novembro), e parte dos fãs ainda estão ansiosos para começar suas jornadas na nova região. Porém, este vazamento duplo absurdo, que entregou o registro COMPLETO dos monstrinhos nas mãos da internet, com certeza ficará marcado na história da The Pokémon Company e da Nintendo para sempre.


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