Review | Steven Universe: The Movie

Steven cresceu, mas seus problemas continuam

Review | Steven Universe: The Movie

Anunciado durante a San Diego Comic-Con 2018 e já em produção anos antes de seu anúncio, o longa-metragem da série animada Steven Universe finalmente foi lançado em setembro de 2019. Com 90 minutos de um musical primoroso e qualidade de animação digna dos clássicos da Disney, Steven Universe: O Filme consagrou o crescimento e impacto da obra de Rebecca Sugar no mundo.

Se passando dois anos após os acontecimentos de “Change Your Mind“, último episódio da quinta temporada, o filme nos introduz um Steven mais velho e maduro, aproveitando a tão sonhada vida tranquila com as Crystal Gems, após anos de batalhas e reviravoltas. Porém, como era de se esperar, a felicidade dura pouco: repentinamente vemos uma ameaça surgir para acabar com a vida no planeta Terra, e todos precisam lutar novamente para salvar seu lar.
Desta vez, a ameaça é Spinel, uma Gem desconhecida de coloração rosa e uma pedra em formato de coração de cabeça para baixo em seu peito. Repleta de ódio por Steven e seu lar, ela traz consigo uma arma biológica e um tremendo desejo de vingança, e ele não consegue se lembrar de quem ela é. Assim, confuso e irritado com a nova ameaça, Steven é envolvido em uma trama que envolve autodescobrimento, traições, ódio, vingança, perdão e, por fim, amor.

Spinel em sua sequência de apresentação no filme. A foice é sua arma principal – Reprodução/Geek Girl Authority

Não foram poupados esforços para trazer o filme à vida: o nível da animação subiu drasticamente, principalmente nas cena protagonizadas por Spinel. A vilã, cujo corpo é maleável e fluido, traz a inspiração em Mickey Mouse e suas animações da Disney que marcaram a década de 30, tanto em seus trejeitos quanto em seu design. Takafumi Hori, do Studio Trigger, trabalhou especialmente nas sequências “Other Friends” e “Change“, sendo o principal responsável pela animação incrível de Spinel. Hori, que já havia trabalhado com Steven Universe antes, também é responsável pelas animações de Kill la Kill, Summer Wars, Samurai Champloo e Little Witch Academia, entre outros clássicos e destaques da animação oriental.

Além da animação de qualidade, a narrativa também foi bem desenvolvida, pelo menos por boa parte do longa. Spinel foi introduzida de forma icônica e aprofundada, e isso se deve também à atuação estupenda de Sarah Stiles, dubladora original da personagem. Assim, foi fácil para Spinel se tornar o típico vilão que conquista os fãs. Se houver alguma dúvida disso, a sequência de “Drift Away” é o ponto alto emocional do filme, e é protagonizada por ela. Uma revelação importante é feita nessa música, e mais personagens da série ganham desenvolvimento, mais facetas e mais humanização. Além dessa “área cinza” introduzida, que deixa a noção de “bem e mal” mais subjetiva, uma nova fusão surge no filme, e as Crystal Gems precisam passar por um “renascimento”, através de uma pequena jornada pessoal (com a ajuda de Steven, claro). As Diamonds, ditadoras cruéis e sanguinárias de outrora, também ganham um pequeno destaque, mostrando como mudaram desde que Steven “assumiu seu posto” na hierarquia de Homeworld, influenciando beneficamente a sociedade e impactando-a. Uma nova Era tomou início, cujo pontapé “vilanesco” se deu pelas mãos gigantescas e enluvadas de Spinel.

Steven e Greg protagonizam um momento icônico juntos – Reprodução/Detroit News

Contudo, a sequência que leva ao confronto final e a resolução do conflito sofrem com a pressa. O ritmo começa a vacilar na metade da obra, e a “luta final” entre Steven e Spinel é resolvida abruptamente. Isso diminui o peso que os personagens carregaram, fazendo parecer que a resolução era “pura e simples”, facilmente alcançável. Além disso, o próprio Steven (agora um adolescente com pescoço, para a surpresa do fandom) acaba agindo de forma inconstante durante o longa, variando de acordo com o que o roteiro exige. Às vezes gentil e preocupado, às vezes irritado e apressado, o conflito de personalidade pode ser comum da adolescência, mas soa estranho em Steven, que teve seu personagem construído ao longo de cinco temporadas com seu temperamento empático e seu jeito de dialogar para resolver conflitos com paciência, evitando a violência e a intolerância.

Cena de “Drift Away” – Reprodução/TV Tropes

Steven Universe: O Filme é um ótimo musical, com uma animação primorosa, uma vilã apaixonante, músicas contagiantes e bom aprofundamento do universo da série. Porém, a pressa em resolver o conflito e a inconstância de Steven acabam enfraquecendo o último ato do longa, que perde um pouco o fôlego e o apelo emocional.


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