A análise definitiva sobre ‘Kingdom Hearts 3’ – leia!

A batalha da luz contras as trevas tem finalmente seu desfecho em Kingdom Hearts 3.

A análise definitiva sobre ‘Kingdom Hearts 3’ – leia!

Um sonho disperso que é como uma memória distante. Uma memória distante que é como um sonho disperso. Eu quero alinhar as “peças” -As suas e as minhas”.

A frase que inicia Kingdom Hearts 2, mas que serve muito bem para o fim em Kingdom Hearts 3.

Em 2002, fomos apresentados a um jogo com tendências de inovação quanto ao estilo de RPG’s que conhecíamos na época, e não apenas por conta de sua gameplay com movimentos de combate acrobáticos e coloridos, mas pela mistura de dois universos inesperados: Square Enix e The Walt Disney.

Estes, traziam para nós o inesquecível Kingdom Hearts, combinando elementos da franquia Final Fantasy com personagens do mundo Disney (Pateta, Donald, Mickey, entre outros) para playstation 2. Lembro-me bem das noites em claro tanto com o primeiro jogo da saga, quanto com suas sequencias: Kingdom Hearts: Chains of Memory (2004), e então, o marcante Kingdom Hearts 2 (2005), o qual eu fiz questão de comprar sua edição final mix.

Após longos 17 anos de sua franquia, houve vários lançamentos de jogos em outras plataformas para sanar o desejo dos fãs e dar maior profundidade no universo de Kingdom Hearts. Chega, após duas gerações de console, Kingdom Hearts 3 lançado em 25 de janeiro de 2019, trazendo um desfecho final para a saga do personagem principal Sora e seus companheiros contra o vilão Xehanort.

A chave para vencer as trevas

Kingdom hearts 3 tenta e consegue trazer a resolução de uma história contada ao longo da junção de vários jogos de diferentes consoles e portáteis (10 jogos para ser exato) para concluir a saga seeker of darkness que teve seu início com o pequeno Sora em Kingdom hearts de 2002.

Para uma compreensão melhor do que ocorre no enredo de Kingdom Hearts 3 é preciso que você tenha tido contato com os jogos anteriores da série, não é uma obrigatoriedade, mas é importante ressaltar como Tetsuya Nomura vai pavimentando o caminho a partir de todos esses jogos para um encerramento magistral neste jogo.

“Com todas as peças no tabuleiro reunidas, Kingdom Hearts vai chegando ao seu cheque mate” (Reprodução/Gameblast)

Em Kingdom hearts 3, Sora, junto com seus companheiros Pateta e Donald, buscam por parte do poder que ele perdeu ao longo dos acontecimentos do jogo Dream Drop Distance (2012/3ds) sendo esse essencial para combater o Xehanort que tem como objetivo cobrir todo o mundo de trevas com o poder da Kingdom Hearts.

Ao longo da jornada do protagonista damos destaque aos laços com os inúmeros personagens do game e a interação dinâmica com os mundos temáticos da Disney, como acontece com as novas adições dos mundos de Toy Story e Monstros S.A. É ótimo ver a fluidez dos relacionamentos de Sora com os personagens caricatos da Disney mesmo com o surgimento de novos personagens na trama, isso pode ser até mesmo por conta do ar de inocência que o personagem principal passa durante sua jornada, apesar de não negar haver uma maior maturidade do protagonista, principalmente em relação a jogos anteriores da franquia, ao lidarmos com os empecilhos que temos para resolver nos mundos que visitamos durante o jogo e ,claro, Sora realmente cresceu muito desde o primeiro game da série, a finalidade dessas fases temáticas é atendida quando vemos os objetivos de nossos oponentes se encaixando perfeitamente com a história do mundo sendo visitado, um detalhe é que essas narrativas individuais em cada mundo ainda ficam como pano de fundo para o enredo central de Kingdom Hearts 3, como por exemplo em Toy box temos que resgatar Andy e outros brinquedos, juntos a Buzz e Woody e em San Fransokyo enfrentamos os heartless juntos a Big Hero Six para proteger a cidade.

Ver acontecimentos adicionais aos enredos originais desses filmes é algo bem legal mas deixa o jogador ansioso para buscar logo por uma conclusão com  batalhas contra os oponentes principais do jogo como os membros da Organization XIII ou mesmo as outras versões de Xehanort, mas isso é uma características que já acompanha a saga desde o primeiro Kingdom Hearts, mas não deixa de ser interessante as adaptações dos personagens principais. Sora, Donald e Pateta se tornam monstros em Monstrópolis e piratas no mundo de The Caribbean, porém algo que se nota é que os inimigos parecem menos temáticos as fases que se encontram quando comparados a Kingdom Hearts e Kingdom Hearts 2 e os chefes finais apesar de serem bem detalhados e seu designer tentar se aproximar o máximo possível do ambiente do filme em que estão inseridos, nos faz sentir um pouco a falta de enfrentar os vilões carismáticos das animações da Disney como acontecia nos outros títulos da franquia.

Os mini games do jogo não deixam a desejar também, o de dança em enrolados e o de refeições de ratatouille merecem destaque, as viagens com a gummi ship em Kingdom Hearts 3 mudaram, mas ainda não é algo relevante ao jogo e as vezes pode deixar os jogadores um pouco irritados. Mas a emoção do jogo está em encontrar personagens de jogos anteriores todos reunidos, ver Roxas se encontrado com Sora e depois com Ventus dá um nó na mente, nesse quesito Kingdom Hearts 3 é uma montanha russa de sentimentos.

Empunhando a keyblade!

“As keyblades mudaram, deixaram de ter um sentido mais estético, para terem um variabilidade de poderes e habilidades que podem ser decisivas em batalha” (Reprodução/IGN)

 A vida de um keyblade master não é fácil, algo que impressiona em Kingdom Hearts é sua mecânica, desde a possibilidade de lançar magias e até mesmo a capacidade de planar, e isso tudo muito bem inserido com os ambientes com os quais nosso personagem tem que se aventurar, e claramente em Kingdom Hearts 3 não poderia ser diferente, os combates são envolventes e os comandos intuitivos e mesmo parecendo algo simples de ser realizado no joystick as manobras em tela parecem até como pinturas em movimentos e o estilo hack and slash nunca se provou mais ideal para esse jogo.

A mecânica de combate também traz o reflexo da evolução que ela teve desde Kingdom hearts 2 e está intrinsecamente ligada as mecânicas que Dream Drop Distance traziam em sua gameplay e algumas características de Birth by Sleep podem ser vistas no jogo também, claro com novas adições exclusivas para Kingdom Hearts 3 que deixam os combates ainda mais excitantes.

Dessa vez temos um bom arsenal de keyblades onde podemos realizar trocas rápidas de armas mesmo durante as batalhas e essas com a capacidade de se transformarem em armas únicas, cada keyblade nova pode possuir até duas transformações, conforme o uso delas sua barra de energia vai sendo consumida, um exemplo é a keyblade do mundo de Frozen que se torna inicialmente garras de gelo gigantes chamadas de Blizzard Claws e sua forma final onde se tornam lanças de gelo e patins tornando a movimentação de sora mais veloz, sendo essa transformação chamada de Blizzard Blades.

A party foi aumentada e sua equipe durante as batalhas podem ter uma força extra contando com dois personagens adicionais na tela o que difere bem dos jogos anteriores onde só tínhamos a possibilidade de colocar dois personagens na equipe juntos a Sora.

Outra coisa adicionada a jogabilidade de combate é a possibilidade de usarmos atrações do parque da Disney em batalha, como as xícaras que quando invocadas permitem que o personagem principal e seus companheiros de equipe utilizem-se da atração para atacar os oponentes com uma finalização cheia de efeitos de luz, imagem e sons incríveis.

A clássica habilidade de link também está de volta e nos permite invocar outros personagens da Disney para ajudar Sora em batalha e realizar novos combos únicos. Em geral o sistema de batalha é bem mais que satisfatório e um ponto forte do jogo.

Gráficos e som

Outro ponto forte do jogo, e um belo ponto, são os visuais carregados pelo motor gráfico Unreal Engine 4 e a unicidade de estilos apresentada ao jogador em cada mundo que ele visita, é de se impressionar, ao comparar com os filmes originais temos a impressão de estar o assistindo com cenas inéditas.

A adaptação para cada fase faz parecer como se você realmente estivesse integrando o nostálgico universo dos filmes da Disney, salientando aqueles produzidos pelos estúdios pixar. Jogar em Monstrópolis e Toy Box são experiências impressionantes para cada detalhe da ambientação e pelas expressões fantásticas dos adoráveis personagens.

A mudança fica mais acentuada quando passamos para o mundo de um filme live-action que é o caso de Piratas do Caribe. Os efeitos visuais foto realísticos acompanhados de efeitos de sombra e luz precisos nas silhuetas dos personagens mais cartonados e mesmo dos personagens que já fazem parte da história dos filmes de Piratas do Caribe, nos faz pensar que mesmo se o jogo fosse integralmente feito baseado nos gráficos desse mundo não atrapalhariam em nada o desempenho e enredo visual do jogo.

“Os gráficos estão belíssimos, e o efeito foto realístico inserido no mundo de piratas do caribe é surreal” (Reprodução/Reddit)

Outra coisa adicionada ao jogo em relação ao desempenho gráfico e a gameplay é a possibilidade de optar por favorecer um ou outro. O “standart mode“, que melhora a taxa de quadros por segundo à custa da qualidade gráfica ou “stable mode“, que trava a taxa de quadros para favorecer os gráficos.

Porém, como nem tudo é um mar de rosas nos games, com Kingdom Hearts não é diferente. Um problema decorrente dos jogos da franquia é a câmera. Em Kingdom Hearts 3 pode-se dizer que houve uma melhora grande quanto ao sistema de câmera da gameplay, mas esse ainda é um ponto que merece maior atenção para futuros aperfeiçoamentos nos jogos da série, o que atrapalha muito quando se está envolvido num combate crucial no jogo.

Outro detalhe a ser abordado é obviamente a diferença entre as cenas feitas em CG e as cutscenes que acontecem durante a gameplay com diálogos e ações de personagens do jogo que dão a impressão de uma movimentação e expressões um tanto robóticas que perdem completamente o sincronismo com o background de fundo em que a cena está acontecendo. Ainda assim os gráficos com certeza são algo que agrada muito no jogo e não deixa nada a desejar permitindo até a interação com o jogo ser mais agradável.

A trilha sonora do jogo está excelente, como sempre foram em outros jogos da franquia, manteve o bom padrão de qualidade, sentimos o ritmo das musicas se enquadrando perfeitamente com os momentos de confronto com os oponentes, o encaixe das músicas orquestrais fica mais acentuados quando os personagens estão expressando algum sentimento durante as cenas do jogo, como o de alegria ou tristeza. O modo conforme ficamos tensos em algumas partes faz com que a trilha sonora no jogo reflita isso muito bem, sem falar na melhoria que as músicas clássicas da franquia receberam, como Dearly Beloved no menu inicial do jogo. A canção tema “Face My Fears” é interpretada pela cantora japonesa Utada Hikure, junto com a produtora Poo Bear e tem assinatura de Skrillex na remixagem, que diga-se de passagem ficou fantástica.

Pontos positivos:

– Melhorias no sistema de combate

– Novas funções para as keyblades

– Gráficos e sons excepcionais

– Enredo sublime

Pontos negativos:

– Movimentação de câmera do personagem

– Fases com narrativas individuais cansativas

– Batalhas com chefes pouco cativantes nas fases

Para fechar com CHAVE de ouro!

A espera certamente foi longa, mas Kingdom Hearts 3 nos presenteia com o que já aguardávamos: ótimas melhorias gráficas, ambiente de jogo cativante e um sistema de combate que certamente nos deixa envolvido. Apesar do início do jogo ser de certa forma saturante, com o tempo que vamos avançando na história e a trama vai nos deixando mais envolvidos e mais entrópicos por buscar um final, mais o jogo nos ganha pelo que é melhor: trazer a emoção de um roteiro bem estruturado que tem o desenrolar esperado pelos fãs para o destino dos personagens que tanto adoramos e, ainda, permitindo-se deixar um final em aberto, claramente mostrando que veremos nossos heróis retornarem, provavelmente para um novo arco.

O jogo tem suas imperfeições, mas o encerramento com todos aqueles personagens que aprendemos a gostar ao longo de todos os jogos da franquia, e como é tocante ver todos eles juntos depois de passar por tantos problemas, nos deixa com aquela sensação de satisfação por concluir algo que trouxe tão bons sentimentos e momentos, principalmente para aqueles que criaram uma afinidade maior com as propostas da série e que se tornou muito querida para vários jogadores.


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