Review | Xuxa Requebra (1999)

Review | Xuxa Requebra (1999)

Review-resposta ao desafio do nosso parceiro Bruno Omena do blog Resenha100Nota.

A prática de assistir filmes costuma ter um significado diferente para cada um de nós. Uns assistem como uma forma de apreciar a arte, outros, como um passatempo, e alguns outros ainda, para fomentar discussões em grupos de amigos e na internet.

Aliado a estes costumes, o hábito de assisti-los quase sempre vem acompanhado pela curiosidade de descoberta, seja pela história, trabalho do diretor e elenco, direção de arte ou sua trilha sonora. Mas no caso de Xuxa Requebra (1999), nada disso está presente de forma sequer satisfatória.

Protagonizado por Xuxa Meneghel, o filme conta a história de Nena, uma jornalista e ex-estudante da Academia de Dança Dois Corações que está à beira da falência e prestes a perder as instalações para uma gangue de traficantes de drogas liderados pela vilã megalomaníaca Macedão (Elke Maravilha). A fim de conseguir recursos suficientes para prosseguir com as atividades do lugar, Nena inscreve a Academia na competição de dança “Requebra 2000”, mas para saírem vitoriosos eles precisam vencer o grupo de dançarinos profissionais contratados pelo anti-herói Felipe (Daniel), à mando de Macedão.

 

Em uma primeira vista a sinopse simples – e até aceitável – não tem maiores problemas, afinal, em resumo trata-se de uma história onde a mocinha ajuda os desamparados a se livrarem de um mal incondicional. No entanto, a direção de Tizuka Yamasaki unida ao roteiro escrito pela multidão Evandro Mesquita, Cristiana Mesquita, Eliana Fonseca e Alexandre Roit, aliado a cereja do bolo de desastre que não poderia ser outra senão as atuações horripilantes de Xuxa e companhia, tornando o filme um incrível festival de pura vergonha alheia.

Felipe (Daniel) e Nena (Xuxa) formam o casal “improvável” do longa.

Servindo também como uma grande celebração e reunião dos artistas mais “badalados” do Brasil na virada do século, Xuxa Requebra traz várias participações especiais como as do cantor Vinny, o grupo Fat Family, a dançarina Feiticeira, o apresentador Luciano Huck e da dupla Claudinho & Buchecha, com muitas delas sendo fundamentais para o andamento da trama, afinal, como Nena e seus amigos saberiam como agir se não fosse a pontualidade das musas Tiazinha e Carla Perez como Office Girls entregando jornais? Ou mesmo o excelente trabalho de limpeza automotiva da banda Terra Samba, que numa cena bizarra encaixam o hit “Banho de Chuveiro” enquanto Nena chora a morte da ex-proprietária da Academia, Dona Laura (Yara Lins), dentro do seu precioso Fusca vermelho?

Durante boa parte de seus 90 minutos, fica realmente difícil decifrar em qual gênero cinematográfico o longa se encaixa, e quando finalmente temos alguma certeza, é de que ele não se encaixa em gênero algum.

Citando a personagem de Clarice Falcão na esquete Crítica, do canal Porta dos Fundos, o filme “Como comédia, não diverte. Como drama, não emociona”. Mas constrange como poucos.


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