Sexta-feira 13 | A data do terror

Todo mundo sabe que a sexta-feira 13 dá azar, mas você sabe porque?

Sexta-feira 13 | A data do terror

Existem em diversas culturas e crenças inúmeras explicações para o número 13 ser associado ao azar. No cristianismo, esse era o número de pessoas na Santa Ceia (e todos sabemos que essa história não acabou bem). Além disso, na Bíblia o capítulo 13 de Apocalipse apresenta a marca da besta. O 13 é também considerado um número imperfeito, visto que referências como as 12 tribos de Israel e os 12 discípulos fazem o 13 destoar dos planos de Deus.

Já na cultura nórdica, existe a estória de um banquete para 12 deuses em Valhalla, onde Loki apareceu sem ser convidado, causando a maior confusão e até a morte de um dos presentes. A reunião de 13 pessoas à mesa era considerada um mau presságio entre os nórdicos.

Banquete de Valhalla

O 13º (não) convidado do Banquete de Valhalla, Loki, gerou uma confusão que acabou em morte

Na numerologia, o 13 significa inconstância e no tarot 13 é a carta A Morte. Tá, mas e a sexta-feira?

Assim como o número 13, a sexta-feira também é mal vista. Acredita-se que sexta-feira foi o dia em que Eva e Adão provaram do fruto proibido. Além disso, foi numa sexta-feira que Jesus foi crucificado. A conversão dos povos europeus na Idade Média também deixou seu legado, no quesito “demonização de entidades de outras crenças”: Friday (sexta-feira) foi nomeado em homenagem à deusa Frigga. Sendo assim, criou-se o mito de que Frigga, junto com o tinhoso e mais 11 bruxas – olha o 13 aí de novo! – saíam todas as sextas-feiras (que seria o dia de Frigga) para lançar maldições contra a humanidade.

Mas e a sexta-feira 13?

A explicação histórica para a data ser associada ao azar e ao terror é totalmente plausível e é relacionada à política e poder. Durante a Idade Média surgiu a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, também conhecida simplesmente como Os Templários. Eles eram o braço militar de cavalaria da Igreja Católica, que tinha como principal função trazer a Terra Santa de volta para os domínios do Vaticano, através das Cruzadas, e proteger os peregrinos. A Ordem operava sob votos de pobreza, castidade, obediência e devoção, mas com o passar dos anos foi ganhando notoriedade e poder, chegaram a arrecadar grandes tesouros, a ponto de se tornar respeitada e até temida.

Ao mesmo passo a Igreja Católica crescia exponencialmente, fazendo o monarca Filipe IV, então rei da França, temer seu poder e possível supremacia sobre o seu reino. Aí começou a jogada política de Filipe IV que, com medo da influência da Igreja, tenta se juntar aos Cavaleiros Templários, mas sua solicitação foi negada.

Devendo até as calças aos Templários, ele resolve mudar de time e pressiona o papa Clemente V, ainda sob a influência do reino francês, a tomar providências sobre a Ordem e confiscar seus bens, acusando-os de uma série de crimes como heresia, imoralidade e sodomia. E foi assim que na sexta-feira 13 de outubro de 1307 foi executada a ordem de captura de Jacques de Molay, grão-mestre da Ordem, e todo e qualquer Templário em território francês. Evidentemente, o evento não ficou só na captura dos mesmos, e sim no extermínio de muitos deles, tornando o episódio associado ao azar e ao terror devido a chacina que se deu.

Templários

As execuções dos Templários

Daí pra frente, muitos dos capturados confessaram as acusações sob tortura e foram condenados à morte ou prisão perpétua. Sabendo dos meios pelos quais o governo francês conseguia suas confissões, o papa Clemente V ainda tentou absolver os Templários de seus crimes e apenas reestruturar a Ordem, mas isso não servia à Filipe IV e suas dívidas. A Ordem teria que ser dissolvida e seus bens confiscados e redistribuídos. Ambos foram amaldiçoados por Templários prestes a serem executados e, coincidência ou não, não viveram muito depois disso pra contar a história: apenas um ano depois tanto o rei como o papa morreram.

Mas como a sexta-feira 13 foi parar na cultura pop?

Bom, a data começou a ficar ainda mais fixada no imaginário popular quando o Clube dos Treze foi fundado, em 1882, em Nova York. A ideia era reunir uma galera todo dia 13 de cada mês pra desafiar o azar, testando toda a sorte de superstições existentes. Eles quebravam espelhos, derrubavam sal, passavam embaixo de escadas, mexiam com gato preto… Enfim, o significado vivo de “cutucar a onça com vara curta”. Se um dia 13 caía numa sexta-feira, o encontro então culminava num jantar especial, visto que a data era ainda mais desafiadora.

Clube dos Treze

Documentos do Clube dos Treze ridicularizavam o azar

Mas foi já no século XX que a sexta-feira 13 entrou de cabeça na cultura pop, através do livro Sexta-Feira 13, de Thomas Lawson (1907). O livro conta a história de um corretor de ações de Wall Street que manipula valores de mercado em forma de vingança, fazendo seus inimigos irem à falência. A obra fez tanto sucesso que até hoje a data é associada a azar em relação aos negócios e o valor das ações sempre costuma cair nesse dia, devido a superstição criada.

A partir daí, outras obras foram surgindo dentro da temática e na década de 80 iniciou-se a trilha de sucesso – e sangue – deixada por Jason Voorhees na franquia de filmes de terror Sexta-Feira 13, que se estendeu de 1980 até 2009, além de outros produtos derivados, como série de TV, quadrinhos, romances e games!

Jason Voorhees

A evolução de Jason Voorhees ao longo de quase 3 décadas

E aí, curtiu saber um pouquinho sobre a origem dessa data pra lá de sinistra?! Já aproveita o hype pra dar olhada nessas matérias:

Crítica It: Capítulo 2

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