Monstros Clássicos | Lobisomens

No segundo capítulo da série Monstros Clássicos, eles que são os antagonistas preferidos dos Vampiros!

Monstros Clássicos | Lobisomens

O Lobisomem, também conhecido como Licantropo (do grego lykos = lobo e anthrōpos = homem), é um ser lendário nascido na mitologia grega, onde um homem pode se transformar em lobo ou em algo semelhante a um lobo em noites de lua cheia. Esses seres passam a ter um comportamento totalmente irracional, violento e sedento por sangue, até retornarem à forma humana ao amanhecer.

Existem variações da lenda ao redor do mundo, de acordo com a região. Vamos conhecer melhor esses seres que tantas vezes dividem histórias fantásticas com Vampiros!

O Lobisomem
Reprodução: Zona 33

Origem

A primeira metamorfose do licantropo aparece na mitologia grega, nos contos de de filósofos antigos, como na história do rei Licaão da Arcádia, que fez Zeus comer as vísceras cozidas do próprio filho. Para puni-lo, o deus o transformou num homem-lobo. Essa história originou o termo “licantropia” (a habilidade de se transformar na criatura).

Zeus amaldiçoa Licaão

Zeus amaldiçoa Licaão
Reprodução: Baú do Luizinho

Já a lenda com as características clássicas bem definidas, como a conhecemos hoje, se disseminou a partir do século XVI, na Europa. Entretanto, existem variações de como alguém se torna um Lobisomem: algumas relacionadas à família, outras relacionadas à mordidas ou ataques de lobos, mas sempre são resultado de alguma maldição infligida por deuses (exceto em alguns casos onde a própria igreja católica chegou a afirmar que alguns santos, como São Patrício, receberam o “dom divino” do Lobisomem).

De fato, todas os povos antigos continham estórias como esta, de homens se transformando em animais, para justificar atos de violência, assassinatos em série ou outros comportamentos inaceitáveis.

Características

Os Lobisomens geralmente se transformam em noites de lua cheia e saem a procura de carne humana. Segundo a lenda, a maldição pode surgir por nascimento: o sétimo filho de uma família, ou o filho homem nascido após a sequência de sete mulheres, ou simplesmente uma hereditariedade, em casos de famílias amaldiçoadas; por ataque de animais: como no surgimento da lenda no continente europeu, onde acredita-se que um homem foi mordido por um lobo e, a partir daí, tornou-se amaldiçoado; ou diretamente como castigo dos deuses: como na estória de Licaão e em algumas culturas em que acredita-se que homens que tem affairs com suas cunhadas são amaldiçoados por Deus.

As transformações sempre ocorrem à noite, geralmente na lua cheia, mas algumas variações da lenda também falam em terças e sextas-feiras. A fera retorna à forma humana ao amanhecer, porém em certas culturas, o Lobisomem precisa cumprir alguns requisitos, como percorrer cemitérios ou ir à encruzilhadas antes do nascer do sol, para não ficar preso na forma bestial para sempre.

A lenda ganhou força na Europa graças a Besta de Gévaudan, caso ocorrido na França, no final do século XVIII, onde uma besta descomunal fez mais de 100 vítimas fatais, entre mulheres, crianças e alguns pastores de rebanhos. A besta foi abatida em 1767, com uma bala de prata ungida por um padre – daí o porquê de Lobisomens só morrerem atingidos por balas de prata, e não balas comuns – e em seu interior foram encontrados restos humanos. Cientistas descrevem a Besta de Gévaudan como um remanescente ancestral do lobo, de proporções extremamente avantajadas em relação ao animal, como o conhecemos.

Algumas características comuns em todas as vertentes são aspectos lupinos (obviamente), como crescimento de pelos por todo o corpo, garras e presas, extrema força física e capacidade regenerativa – inclusive na forma humana, apesar de menos intensas. E, é claro, a relação entre Vampiros e Lobisomens.

Senta que lá vem a história…

Uma das crenças sobre a origem dos Vampiros é que eles foram originados a partir da maldição de Caim. Este, amaldiçoado à vida eterna e ao medo da luz (características vampíricas), gerou descendência para apaziguar sua solidão. Da mesma forma, existem crenças cristãs que contam que os Lobisomens foram criados a partir dos descendentes de Noé, após o dilúvio. O “clã” de Caim não teria sido afetado pelos eventos do grande dilúvio, portanto, anjos passaram a procurar uma forma de controlar o crescimento da espécie.

Vampiro vs Lobisomem

As sempre épicas disputas entre Vampiros e Lobisomens.
Reprodução: Pinterest

Reza a lenda que, após o grande dilúvio, Noé e sua família tinham o dever de repovoar a Terra. Um dia, Noé foi encontrado nu e bebaço em uma cabana por seu filho Cam. Por vergonha de ter sido descoberto nu, Noé amaldiçoa Cam, que por sua vez, deprimido e envergonhado, torna-se a melhor opção para os anjos, que lhe ofereceram certos poderes em troca da função de “controlar o crescimento” dos descendentes de Caim. Cam – também conhecido como Cão – origina assim a guerra entre Lobisomens e Vampiros.

Abaixo, um trecho do filme Noé (2014) que ilustra o momento entre Cam e Noé:

Outras vertentes também trazem os Lobisomens como uma raça criada e escravizada pelos Vampiros que, após tornarem-se independentes, vivem em busca de vingança.

Aparições na cultura pop

Bram Stoker tentou engatar o mesmo sucesso que obteve com Drácula, chegando a escrever um rascunho usando Lobisomens e Vampiros, porém a lenda ganhou notoriedade através da obra O Lobisomem de Paris, de Guy Endore (1933). Na maioria das vezes, os lobisomens aparecem na cultura pop associados à Vampiros ou outros monstros, mas existem muitos títulos clássicos de histórias independentes.

Na literatura o boom do Lobisomem foi com a já citada obra O Lobisomem em Paris, considerado como de mesma importância para a lenda do Lobisomem como é Drácula, de Bram Stoker, para os Vampiros. Outros títulos em que os lupinos aparecem são Um Horror Pastoral (1890), onde Arthur Conan Doyle traça seu personagem através da doença mental licantropia; A Hora do Lobisomem (1983), de Stephen King; O Coronel e o Lobisomem (1964), de José Cândido de Carvalho (literatura brasileira). Nos quadrinhos temos O Lobisomem, de Jeff Zornow e Bram Stocker; a Lupina de Novos Mutantes (Marvel Comics); O Grande Lobo Mau ou Bigby Wolf em Fábulas; e o Lobi, da Turma do Penadinho, de Maurício de Sousa.

Nas telonas temos o clássico é O Lobisomem (1941) onde Lan Chaney Jr vive Larry Talbot, ganhando um remake em 2010; o famoso Um Lobisomem Americano em Londres (de 1981, e posteriormente em Paris, de 1997); não dá pra não citar as adaptações da obra de Stephenie Meyer, já que metade dos personagens são Lobisomens na saga Crepúsculo; o saudoso Remo Lupin, professor de Defesa Contra as Artes das Trevas na saga Harry Potter, adaptação das obras de J. K. Rowling; Van Helsing: o Caçador de Monstros (2004), estrelado por Hugh Jackman; e Lucian e sua alcateia, na saga Anjos da Noite.

Nas telinhas os homens-lobo também aparecem nas séries citadas no nosso primeiro capítulo: Shadowhunters, Diários de um Vampiro, Os Originais, Penny Dreadful. Uma das séries mais antigas na temática é Werewolf, original da Fox de 1988, além de outros títulos mais recentes e bem aceitos pelo público como Bitten, Wolf Lake, Being Human, Teen Wolf, True Blood e Hemlock Grove.

Nos animes temos Sirius the Jaeger; a pervertida lobisomem Shiho em Jitsu wa Watashi wa; no cômico Blood Lad, entre outros seres sobrenaturais, também aparecem Lobisomens; e conflitos entre Lobisomens e Vampiros no thriller Shiki.

Nos games temos o Bigby Wolf também em The Wolf Among Us; Wolf Link, uma das transformações de Link do famoso jogo The Legend of Zelda (Twilight Princess); Aela, The Huntress, a mulher lobo de Skyrim; Brad Fang, de Contra: Hard Corps; Sabrewulf, de Killer Instinct; e o intrigante Jon Talbain, de Darkstalkers: The Night Warriors.

Plus: não dá pra deixar de citar o maravilhoso Lobisomem em que o Michael Jackson se transforma no clipe de Thriller, não é mesmo?!

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