Review | My Hero Academia: Dois Heróis

A estreia de Deku e cia nas telonas

Review | My Hero Academia: Dois Heróis

My Hero Academia: Dois Heróis (Boku no Hero Academia THE MOVIE: Futari no Hero, no original) é a estreia da obra de Kohei Horikoshi nas telonas, trazido para o Brasil e dublado em português brasileiro pela UniDub, com direção de Úrsula Bezerra e intermédio da Sato Company. Originalmente planejado para ser exibido em solo brasileiro apenas no Japan Film Experience 2019, como uma iniciativa da própria Sato Company, o filme acabou recebendo sessões limitadas em alguns cinemas do país, com opções dublada e legendada. Assim, a aventura de Deku e seus amigos pode ser conferida pelos fãs e pelos curiosos da forma que fosse mais conveniente para ambos os públicos.

Se passando entre a segunda e a terceira temporada do anime, o filme acompanha All Might, Deku e os outros estudantes da classe 1-A da UA numa visita à I-Expo, um evento que ocorre na I-Island, a ilha artificial super protegida na qual diversos cientistas pesquisam e desenvolvem aparatos para as individualidades (quirks) dos heróis. Lá, conhecemos oficialmente David Shield (grande amigo e antigo parceiro de All Might) e sua filha Melissa, e temos acesso à mais detalhes do relacionamento de All Might e David. Durante uma festa realizada no evento, os heróis (entre eles All Might) são tomados como reféns por um grupo de vilões infiltrados, e caberá a Deku e seus amigos salvarem as vítimas e derrotarem os vilões desconhecidos. Nesse meio tempo, Shield é levado pelos vilões e All Might fica incapacitado, segurando sua forma musculosa por um fio.

Os jovens All Might e David Shield na cena de abertura do filme – Reprodução/Anime 21

O salto na qualidade da animação é considerável. Para o longa-metragem, o estúdio Bones não poupou esforços ou dinheiro no investimento geral. Sob a direção de Kenji Nagasaki, as enas de ação ganharam dinâmicas monumentais, com velocidade e impactos ainda mais exagerados do que no anime, que ainda conta com cenas de ação mais escuras que as cenas normais. No filme, não há essa perda de luminosidade; o padrão se mantém.
O cenário do longa expande um pouco mais o universo do anime, mostrando o cotidiano dos grandes pesquisadores e suas instalações tecnológicas, cujo intuito é de maximizar as ações dos heróis com os equipamentos produzidos ali. Porém, o enredo é simples e básico, um “arroz com feijão” do shonen (gênero de obra voltado para o público jovem masculino): uma invasão na qual os adultos ficam incapacitados e cabe às “crianças” salvarem o dia, derrotando os vilões. Enquanto o primeiro arco fica reservado à introdução, o segundo dá andamento à trama, mostrando os heróis mirins em ação, e o terceiro encerra com as reviravoltas do enredo e a conclusão épica contra a grande ameaça (à qual não entrarei em detalhes para evitar estragar a experiência).

Uma parte da turma 1-A em meio à sua luta contra os vilões – Reprodução/Letterboxd

Em relação à sessão de My Hero Academia: Dois Heróis escolhida por mim para assistir, os problemas estavam presentes e influenciaram negativamente a experiência. Não opinarei sobre a dublagem brasileira, pois assisti legendado, e aí começam os problemas. A qualidade sonora da sessão era baixa; apenas os alto-falantes da frente da sala funcionavam. Além disso, a legenda continha diversos erros gramaticais e a tradução de japonês para português sofreu com uma adaptação preguiçosa, que cortou o sentido original das frases, muitas vezes substituindo-as por frases genéricas de ação. Há a possibilidade da legenda/adaptação terem sido feitas com base na dublagem brasileira, por isso a discrepância com o sentido original. Porém, é apenas uma possibilidade.
My Hero Academia: Dois Heróis é uma obra fiel à proposta do anime, fugindo dos fillers e expandindo o universo do mesmo, e no Brasil, ajudou a popularizar a obra com a dublagem oficial e os grandes nomes presentes neste trabalho, como Guilherme Briggs no papel de All Might. Porém, o longa não inova ou surpreende, com um roteiro simples e, de certa forma, previsível. Uma luta final de proporções épicas pode compensar para alguns espectadores, graças à emoção e adrenalina que ela passa, mas ainda se encaixa no estereótipo shonen. Para a maioria do público, não haverá problema nesse sentido: seus personagens favoritos estão lá, as cenas de luta repletas de individualidades e grandes explosões estão lá… E, no final, você poderá gritar PLUS ULTRA!

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