Monstros Clássicos | Vampiros

A série Monstros Clássicos começa trazendo a espécie mais popular nos títulos da cultura pop: Vampiros!

Vampiro

Em conceito, Vampiro é “um ser mitológico ou folclórico que sobrevive se alimentando da essência vital de criaturas vivas (geralmente sob a forma de sangue), independentemente de ser um morto-vivo ou uma pessoa viva”. Existem relatos relacionados à vampiros desde a Antiguidade, sendo inclusive comparado ao próprio demônio em certas culturas. No entanto, o mito e suas características sofreram inúmeras alterações com o passar do tempo.

Hoje em dia é impossível ter um único formato para a figura mitológica do Vampiro. Vamos conhecer um pouco da origem desse monstro, as variações e, claro, as aparições dentro da cultura pop!

Vampiro e sua presa

Vampiro e sua presa
Reprodução: Mega Curioso

Origem

Como dito na introdução, desde a Antiguidade há relatos de seres sugadores de sangue, sendo impossível precisar a data do surgimento do mito. Porém, o termo “Vampiro” surgiu na Europa Oriental, onde foi encontrado o que acredita-se ser o primeiro registro em uma língua eslava antiga, num documento datado de 1047. O termo “Upir lichy” (onde upir = vampiro e lichy = hediondo) encontrado nesse documento, foi usado para descrever um padre de comportamento imoral.

Podemos concluir que o mito do Vampiro cresceu e se espalhou por toda a Europa em meados dos séculos XVII e XVIII, graças a ignorância da população naquele tempo, em relação à doenças. Surtos de doenças como cólera e peste bubônica causaram uma histeria em todo o continente europeu, levando as pessoas a exumarem e mutilarem corpos, por acreditarem que mortes estavam sendo causadas por vampiros.

O Tratado de Passarowitz de 1718 também foi responsável por popularizar o Vampiro pela Europa Ocidental. A partir dele, metade da Sérvia e partes da Bósnia e da Wallachia (hoje parte da Romênia) passaram a ser controladas pelo Império Austríaco-Húngaro, onde um famoso conquistador chamado Vlad Tepes, também conhecido Vlad Draculea, era famoso por sua crueldade com os seus inimigos. Relatos contam que Vlad, o Empalador drenava e bebia o sangue de seus inimigos mortos.

Vlad Tepes

Vlad Tepes, também conhecido como Vlad Draculea ou Vlad, o Empalador
Reprodução: Wikipedia

O combo formado pela falta de conhecimento científico em relação à doenças contagiosas da época e pelos relatos de vampirismo no Império Austríaco-Húngaro construíram as características associadas aos Vampiros como os conhecemos hoje. Em 1731, o cirurgião Johannes Fluchinger foi à Sérvia a mando do Império Austríaco para refutar a existência de vampiros, mas o tiro saiu pela culatra quando ele se viu incapaz de categorizar as mortes ocorridas na região de outra forma que não fosse através da ação dos monstros. Assim, com a publicação de Visum et Repertum, onde Fluchinger reafirma a atividade vampiresca, o mito ganhou ainda mais força.

A obra que inseriu os vampiros na literatura, o best-seller Drácula, de Bram Stoker (1897), é baseada na existência e nas atividades de Vlad Tepes.

Drácula – Bram Stoker
Reprodução: DescafeinadoBlog

Características

A maioria das características associadas à Vampiros resulta de doenças epidêmicas e fatos da medicina legal desconhecidos entre os séculos XVII e XVIII. Sintomas da raiva, por exemplo, são associados ao vampirismo: insônia, desassossego, sensibilidade à luz e rigidez da laringe, que pode ser causada por cheiros fortes, como o cheiro de alho.

A Porfiria é uma condição alérgica à exposição ao sol, onde os portadores desenvolvem inchaço e bolhas na pele. Essa doença está diretamente relacionada ao fato de vampiros morrerem desintegrados ao contato com a luz do sol. Em algumas culturas, apenas o fato de uma criança nascer com alguma deformidade, como lábio leporino, já era uma indicação de que essa criança estava sujeita a se tornar um vampiro. Muitas delas foram mortas após o nascimento e as poucas que sobreviveram tiveram que conviver com a sombra vampírica por toda a vida.

Porfiria

Porfiria, a síndrome do vampiro
Reprodução: Boca do Inferno

Aspectos de cadáveres exumados também deram origem as características físicas e comportamentais dos Vampiros. Em situações de epidemias em aldeias, geralmente se exumava o corpo do morto mais recente, suspeito de ser o vampiro causador da doença que acometia a vila. Como àquela época não se entendia bem a decomposição, algumas situações que causavam preservação dos corpos, inchaço, crescimento de unhas e cabelos, cor purpúrea da pele e expelição de sangue pela boca faziam a população acreditar que aquele cadáver tinha voltado do mundo dos mortos, trazendo toda a sorte de doenças para a região. Assim, muitos corpos eram presos ao chão com estacas, ou tinham foices colocadas sobre o pescoço para o caso de tentarem se levantar, ou eram enterrados novamente de bruços, com pedras na boca, ou simplesmente eram mutilados, destruídos, queimados.

Com o passar do tempo, a literatura e o cinema foram romantizando a figura horrenda do Vampiro, trazendo características mais humanizadas em figuras até mesmo atormentadas pelo fato de precisarem se alimentar do sangue alheio.

Aparições na cultura pop

Apesar de terem se popularizado na literatura em primeiro lugar, os Vampiros tomaram conta de todas as formas de entretenimento imagináveis: além de livros, estão presentes em filmes, séries, animes, games.

Na literatura o pontapé inicial foi dado no já citado Drácula, de Bram Stoker, mas não podemos deixar de citar clássicos como As Crônicas Vampirescas, de Anne Rice; A Hora do Vampiro e Salem, de Stephen King; Eu Sou a Lenda, de Richard Matheson; Noturno, de Guillermo del Toro e Chuck Hogan. Temos aparições de Vampiros nos quadrinhos também, como em Blade, a Vampira de X-Men (não deixa de ser uma sugadora de energia vital), Morbius, Andrew Bennett (Eu, o Vampiro) e o nosso querido Zé Vampir, da Turma do Penadinho, de Maurício de Sousa.

Nas telonas os títulos icônicos mais antigos são Drácula (1931) e Nosferatu (1922). É impossível não citar o primeiro título da série de Anne Rice, Entrevista com o Vampiro, que tornou-se uma aclamada adaptação cinematográfica; a maravilhosa saga Anjos da Noite, com Kate Beckinsale como Selene; Van Helsing: o Caçador de Monstros, que apresenta o Conde Vladislaus Dracula e suas companheiras; Drácula: A História Nunca Contada, com Luke Evans como Vlad; e mais recentemente a saga Crepúsculo, adaptação das obras literárias de Stephenie Meyer.

Nas telinhas são inúmeras as obras dentro do gênero, como as adaptações Diários de um Vampiro e Shadowhunters; Penny Dreadful, que adapta clássicos da literatura de terror e lendas urbanas; Os Originais; a excelente série de comédia What We do in the Shadows (O que Fazemos nas Sombras) idealizada por Taika Waititi e Jemaine Clement; e é claro, o clássico Buffy, a Caça-Vampiros.

Nos animes Alucard aparece em um dos títulos de maior sucesso, Hellsing Ultimate, uma das histórias mais fantásticas, bem escritas e sanguinárias apresentadas no formato; Blood Lad; Shiki; Owari no Seraph; Blood+; e claro, não poderia faltar, a recente adaptação de Castlevania, da Netflix.

Nos games começamos com o clássico de 1986 Castlevania, da Konami; Vampire: The Masquerade (Nihilistic Software, baseado no RPG de mesa da White Wolf); BloodRayne (Terminal Reality); Elder Scrolls: Oblivion (Bethesda); Legacy of Kain (Silicon Knights); Nosferatu (Super Nintendo); e Darkstalkers (Capcom).


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