Review | Outra Vida – o sci-fi está em alta na Netflix!

A Netflix lança mais um sci-fi, Outra Vida. Clichê, mas com algumas questões bem interessantes.

outra vida netflix

Outra Vida (Another Life) estreou na Netflix em 25 de julho com um plot um tanto quanto clichê: um ovni invade a Terra. Os humanos, portanto, resolvem fazer contato, sem sucesso. A nave apenas pousa e se transforma numa estrutura de cristal, denominada pelos cientistas de O Artefato. Lá ela permanece por meses sem nenhuma alteração, e nesse momento, as autoridades resolvem mandar uma expedição pelo espaço para descobrir a origem do Artefato e qual as suas intenções com o planeta Terra.

aeronave alienígena

Antes de pousar e se transformar no Artefato, a aeronave alienígena apresenta o formato do símbolo do infinito
Reprodução: Netflix

Até aí tudo “mais do mesmo”, nada de novo. Entretanto, o desenvolvimento da história, que usa a ameaça alienígena como pano de fundo, foca mesmo no relacionamento humano e nos parâmetros de tomada de decisões da tripulação da Salvare. Todos os acontecimentos expõe o passado dos personagens, os medos, as inseguranças, o excesso de auto-confiança, o complexo de superioridade ou inferioridade, enfim, inúmeros sentimentos e questões filosóficas humanas.

Outro ponto interessante é a inteligência artificial William (Samuel Anderson), que é o cérebro da Salvare, mas apresenta sentimentos humanos, o que interfere diretamente no seu funcionamento e, consequentemente, no da aeronave e compromete o andamento da missão.

A série se divide em dois núcleos: um no espaço, focado na tripulação da Salvare e na missão de encontrar o planeta origem do Artefato; e outro na Terra, onde os cientistas buscam contato com os extra terrestres para entender o motivo da “visita”. Assim, uma família é dividida, onde Niko Breckinridge (Katee Sackhoff) parte para o espaço, liderando a expedição, e Erik Wallace (Justin Chatwin) fica na Terra, no comando da operação de contato com o Artefato e cuidando da filha deles, Jana (Lina Renna).

tripulação salvare

A tripulação encara com receio os perigos da operação
Reprodução: Observatório do Cinema

 

Pontos Positivos

O roteiro é inteligente e profundo, traz questões interessantes, soluções drásticas e muitos, MUITOS sacrifícios. Visualmente, a produção é muito bem feita e crível, inclusive os cenários e ideias para as situações ocorridas em outros planetas são bem criativas.

As questões relacionadas à IA William, que visivelmente se apaixona por Niko, moldando todo o seu comportamento e aparência de forma a agradá-la, são muito interessantes. As descobertas emocionais de William e a forma como elas interferem no funcionamento da Salvare são uma abordagem muito interessante em relação à evolução da tecnologia.

tripulação salvare

Parte da tripulação da Salvare. No destaque William, a inteligência artificial que é o cérebro na aeronave
Reprodução: Correio do Estado

As histórias individuais de cada personagem são muito bem trabalhadas e cada uma delas causa impacto na missão. Cada personagem tem habilidades especiais, personalidades distintas e ações críticas que não podem ser realizadas por outra pessoa, especialmente no núcleo espacial da trama. Nas atuações, destaque para Selma Blair (Harper Glass) e Jake Abel (Sasha Harrison), que vivem personagens fúteis, mas que tiveram seus momentos de virada em contato com os alienígenas – sem muitos detalhes, pra não dar spoiler!

Pontos Negativos

Mais uma vez, o tempo é uma problema. A pressa em encerrar situações anda atrapalhando muitos roteiros. Provavelmente é uma questão de orçamento, e não da parte criativa. Não é diferente em Outra Vida: muitas situações são resolvidas na pressa e deixam a gente meio perdido. Talvez, apesar de ser uma missão espacial, a série tenha focado em apresentar contratempos demais para aprofundar nas histórias pessoais de cada personagem, o que dá uma sensação estranha, pois são muitas ocorrências não esperadas. Parte delas poderia ter ficado para uma segunda temporada ou essa primeira poderia ter tido mais alguns episódios para diluir os eventos.

Chega um ponto que você percebe que a tripulação é muito maior do que o que você está vendo. A partir daí, a série passa a tratar os personagens de maneira descartável, alguns deles você não consegue nem lembrar o nome de tão rápido que eles entram e saem de cena.

Ah sim! Hibernação! As máquinas de hibernação são usadas à exaustão e, apesar de não ser nenhuma especialista no assunto, acho que nenhum corpo humano suportaria ser colocado e tirado da hibernação tantas vezes seguidas!

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Niko acordando da sua primeira hibernação na missão
Reprodução: Netflix

Confira o trailer de Outra Vida aqui abaixo, dá lá uma olhadinha na série e diz pra gente o que você achou dela!


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