Crítica | Detetive Pikachu, a tão aguardada estreia de Pokémon na telona

Crítica | Detetive Pikachu, a tão aguardada estreia de Pokémon na telona

Após 20 anos de existência nos consoles da Nintendo, a franquia de monstrinhos de bolso Pokémon fez sua estreia no cinema com Detetive Pikachu. O fato não é surpreendente, dado o sucesso e a influência que Pokémon possui ao redor do mundo, mas havia certa apreensão quanto à qualidade final do longa-metragem, graças ao histórico terrível que adaptações de videogames para o cinema possuem. Porém, surpreendendo à todos, e com 82% de aprovação do público no Rotten Tomatoes, o filme é uma experiência leve, divertida e calorosa para fãs e não fãs de Pokémon!

É importante ressaltar que o filme “Detetive Pikachu” é baseado no jogo homônimo para Nintendo 3DS, um spin-off da franquia Pokémon. As duas obras possuem diversas similaridades, como o enredo principal: o protagonista Tim Goodman descobre que seu pai desapareceu após um acidente de carro e, ao encontrar o Pikachu parceiro dele que sobreviveu, eles partem juntos em busca da verdade sobre  o acidente. A partir daí, algumas mudanças sutis foram realizadas na versão cinematográfica para que esta se tornasse mais palatável ao grande público, como a personalidade mais profunda do protagonista e a mudança no “vilão” e no plot principais.

Lickitung e Tim, no metrô em direção à Ryme City – Repriodução/Nintendo Life

Um dos pontos altos do filme é a qualidade dos efeitos visuais e adaptação dos Pokémon para a telona. A The Pokémon Company esteve presente durante toda a produção do longa, trabalhando ao lado dos artistas responsáveis pelo filme, para que as criaturas fossem retratadas de forma fiel, porém realista, fugindo do Vale da Estranheza. Isso foi conquistado com sucesso; todos os monstrinhos representados no filme possuem tamanhos, texturas e comportamentos convincentes, mas sem perder sua origem “cartunesca” dos jogos.

A escolha de monstrinhos também foi positiva; apesar de muitos serem da primeira geração (a que mais inspira nostalgia), haviam Pokémon de diversas gerações, até mesmo da sétima (a geração mais recente, representada pelos jogos Pokémon Sun & Moon). A combinação de humanos e Pokémon vivendo juntos e ajudando uns aos outros é encantadora; Ryme City parece pulsar com vida tamanho o equilíbrio do ecossistema construído no filme. A cidade é funcional e convincente, retratando a vida em parceria com os Pokémon, de igual para igual, compartilhando experiências entre humanos e monstrinhos. 

Pikachu, interpretado por Ryan Reynolds – Reprodução/Rolling Stone

E falando em ecossistema competente, é preciso exaltar e muito as referências, easter eggs e fan service presentes aqui. Seja em pequenos detalhes, seja de forma mais escancarada (os pôsteres no quarto de Tim mencionando regiões e cidades presentes nos jogos, como Sinnoh, Johto e Cerulean City são um bom exemplo), até a participação de Mewtwo e sua origem nostálgica, o filme encanta o fã de Pokémon e desperta a curiosidade de quem não conhece bem a franquia. Tudo é feito com carinho e primor, e ver uma realidade tão moderna onde os Pokémon fazem parte, com todas estas referências divertidas aos jogos vai emocionar quem cresceu jogando a franquia.

O ponto fraco principal do filme, que pode não ser algo negativo para alguns, é a simplicidade do enredo. Justice Smith, o ator que interpreta Tim Goodman, e Ryan Reynolds, que trouxe o Detetive Pikachu à vida, são o destaque, com uma relação aprofundada e desenvolvimento claro de personagem. Porém, são os únicos; os personagens coadjuvantes são rasos e apenas estão lá para cumprir suas funções base: o policial, o vilão, a parceira. Lucy Stevens, a parceira mencionada e interpretada por Kathryn Newton, é um estereótipo ambulante. A típica garota investigadora sem background interessante, desenvolvimento ou ambição dentro da história. Ela existe apenas para ajudar o protagonista a cumprir seu objetivo. O vilão possui motivações básicas de vilão, inescrupuloso dentro de seus limites. Contudo, vale lembrar que se trata de um filme infantil, o que não exige um enredo complexo nem grandes atuações ou dramas por parte do elenco. Por isso, este é um ponto fraco facultativo; depende da sua interpretação.

Este Jigglypuff cantor é familiar para você? Nostalgia pura – Reprodução/Agentes Nerds

Detetive Pikachu é um filme simples, que evoca a nostalgia e a emoção daqueles que já são apaixonados pela franquia e diverte aqueles que ainda não se aventuraram por ela. Não é um filme fenomenal em nenhum aspecto, mas o carinho em sua produção e as referências escondidas em cada cena são de encher os olhos. Se você é fã de Pokémon, não perca a oportunidade de assistir ao filme; com certeza sairá da sala de cinema com os olhos marejados.

NOTA: 4/5


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