Review | A Frequência Kirlian

Review | A Frequência Kirlian

Enquanto explorava o Netflix numa segunda-feira à noite, acabei me deparando com uma obra chamada “A Frequência Kirlian“, cujo ícone era de um ser humanóide feito de sobras e com olhos vermelhos inexpressivos. Minha curiosidade foi despertada e acabei assistindo todos os episódios naquela mesma noite, o que foi como um devaneio. Entre um misto de suspense e fantasia, a animação se destaca pela técnica utilizada, a narrativa independente e o formato descompromissado.

A Frequência Kirlian (La Frecuencia Kirlian, no original) é uma animação de origem argentina disponível no Netflix com dublagem em português. Composta por cinco episódios com cerca de oito minutos cada, a obra acompanha o locutor da rádio “A Frequência Kirlian“, da cidade de Kirlian (óbvio, de qual outra cidade seria?), uma cidade minúscula que não está presente em nenhum mapa. O locutor acompanha casos sobrenaturais na cidade, bizarrices macabras envolvendo todo o tipo de monstros e assombrações. A narrativa independente torna cada episódio um caso diferente do outro, e a curta duração torna mais fácil “digerir” a animação.

E por falar em animação, a técnica usada em A Frequência Kirlian é singular. Todos os personagens são representados por sombras, silhuetas que fazem com que as vozes dos personagens tenham a responsabilidade maior de expressar suas emoções e inflexões. Os cenários são retratados de forma semelhante, nunca com muitos detalhes porém com certo capricho; é a narrativa que se destaca no conjunto da obra.

O protagonista da animação é a própria cidade de Kirlian, e todos os seus mistérios. Os personagens envolvidos nos casos sobrenaturais ajudam a narrativa a andar, claro, mas sua importância é descartável no fim; Kirlian sempre permanece lá, constante e convidativa para o sobrenatural. É divertido ver o desapego do roteiro em relação aos personagens (com exceção do locutor da rádio, o único sempre presente e responsável por divulgar os casos) para destacar a ambientação e os acontecimentos bizarros. O “clichê” da cidade pequena e sobrenatural lembra as obras de Stephen King, que costuma usar este tipo de localização em IT – A Coisa, por exemplo.

O principal ponto negativo da obra fica por conta do formato independente dos episódios. Não é necessariamente algo ruim, mas é um ponto fraco por apresentar os casos de modo “confuso”. É fácil se sentir perdido no início da animação, com as informações sendo jogadas sem uma ordem cronológica e os casos apresentados sem explicar os personagens envolvidos, o que causa a sensação de que está faltando algo. Mais ou menos durante a metade da animação, o espectador já consegue entender a lógica dos acontecimentos e se acostumar com a forma narrativa escolhida, traçando sua própria “linha do tempo” que conecta os acontecimentos e faz a obra ter mais sentido.

A Frequência Kirlian é uma ótima opção de entretenimento para os amantes de terror, sobrenatural, animações alternativas e dos produtos de audiovisual latinos. Curto, interessante e fora do padrão, vale a pena ser maratonado em um único dia… Ou melhor, numa noite chuvosa e escura.

“Toda a noite… Todas as noites.”


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