A Estrada para o Ultimato | Capítulo 18 – Pantera Negra

O conflito de visões entre T'Challa e Killmonger e a ânsia por poder tornam Pantera Negra um filme mais político do que super-heróico.

A Estrada para o Ultimato | Capítulo 18 – Pantera Negra

Introduzido ao Universo Cinematográfico Marvel em Capitão América: Guerra Civil, o Pantera Negra rapidamente se tornou um dos personagens mais importantes desse universo.

Pela primeira vez, um herói negro ganhava os holofotes dessa forma no MCU e sua introdução prévia em Guerra Civil foi como um termômetro para que a Marvel Studios pudesse avaliar o interesse do público pelo personagem e a interpretação de Chadwick Boseman na pele do T’Challa. É fato que Pantera Negra já estava sendo produzido durante o lançamento de Guerra Civil, mas alterações ainda poderiam ser feitas dependendo da reação da audiência.

Para a sorte de Chadwick Boseman, o ator teve críticas extremamente positivas e pôde dar continuidade ao seu trabalho no filme solo do personagem ao lado do diretor Ryan Coogler, que foi escolhido por conta do seu trabalho em Creed e acabou trazendo por conta disso o ator Michael B. Jordan para o papel de Killmonger.

Essa escolha foi crucial para a Marvel Studios conseguir transmitir os valores essenciais que o filme precisava passar, assim como os atritos raciais, políticos e também geográficos, marcas do Pantera Negra nos quadrinhos que não poderiam passar batidas nessa adaptação para o cinema.

“O que é mais incrível sobre o Pantera é que ele é um super-herói que vê a si mesmo com um político, como um líder em seu país. Acontece que o país é uma nação de guerreiros, onde os líderes tem que ser guerreiros também, então às vezes ele tem que ir à luta”, disse Coogler ao portal Vulture em 2016.

Ryan se inspirou muito para esse filme na visão de Ta-Nehisi Coates, escritor dos quadrinhos Black Panther and the CrewBlack Panther: World of Wakanda e filho de William Paul Coates, ex-membro do Partido Pantera Negra (Black Panther Party).

Após perder seu pai T’Chaka em Viena, Áustria, por conta do ataque terrorista do Barão Zemo à convenção da ONU que assinaria o Tratado de Sokovia, mostrado em Capitão América: Guerra Civil, T’Challa retorna a Wakanda para assumir o trono que agora é seu por direito. Durante a cerimônia de posse, M’Baku, líder da tribo Jabari, desafia T’Challa para um combate para definir quem de fato assumiria o posto de rei de Wakanda. Apesar da ofensiva de M’Baku, T’Challa sai como vencedor do desafio.

Enquanto isso, em Londres, Erik Killmonger e o contrabandista Ulysses Klaw, o Garra Sônica, introduzido ao MCU em Vingadores: Era de Ultron, roubam um artefato wakandiano de um museu e vão à Coreia do Sul para vendê-lo ao agenda da CIA Everett Ross. Sabendo disso, T’Challa, sua parceira Nakia e a membro do Dora Milaje, Okoye, também vão à Coreia do Sul para investigar o ocorrido e impedir que a negociação seja feita. Chegando lá, eles conseguem impedir a negociação porém Ross é gravemente ferido e, por conta disso, levado por T’Challa a Wakanda por conta da medicina avançada do país.

Insatisfeito, Killmonger mata Klaw e leva seu corpo para Wakanda, é levado perante os líderes tribais e revela sua verdadeira identidade: N’Jadaka, filho de wakandianos que teve seu pai morto pelo rei T’Chaka por traição à Wakanda. Ele agora volta ao país para ter acertar as contas com T’Challa, o desafiando para um combate valendo o trono real do país e vencendo a luta. Apoiado por W’Kabi, parceiro de Okoye, e todo o seu exército, Killmonger planeja agora como rei uma nova era de vasta distribuição de armas wakandianas, dotadas de vibranium, o metal mais poderoso do planeta, para diversos países.

O conflito de visões entre T’Challa e Killmonger e a ânsia por poder – por que não assim dizer? – de ambos os lados tornam Pantera Negra um filme mais político do que super-heróico. As próprias visões de heróis e vilões são abstratas nesse contexto, visto que ambas as partes querem o melhor para Wakanda e acreditam ter o direito de aplicar os próprios métodos e meios para atingir os fins vislumbrados. Isso é tão aberto à interpretação que, enquanto vemos um movimento do governo americano, no mundo real, em fechar suas portas para outros países, algo que Hollywood recrimina veemente, o que o dito vilão do filme quer é justamente abrir as portas de Wakanda.

Essa linha tênue também aparece quando analisamos o background de Killmonger. O dito vilão teve seu pai morto por não concordar com atitudes de um governo, então que tipo de governo é esse, que não só rejeita como mata aquele que os critica? Realmente havia uma sina autoritária do pai de T’Challa durante seu reinado e isso justifica a luta por justiça de Killmonger? Com tantos questionamentos, o preto-e-branco começa a dar lugar a diversos tons de cinza, uma abordagem nova nos filmes da Marvel Studios, que sempre mostrou seus heróis como mocinhos e seus vilões como perversos. O pêndulo, na percepção do espectador, vai de um lado para o outro a todo momento.

Pela necessidade dessa abordagem única e até mesmo por conta da condição inicial de Wakanda, totalmente fechado em relação ao resto do mundo, o filme não traz consigo fortes referências ao Universo Cinematográfico Marvel, porém isso não faz com que o longa se distancie dos outros filmes recentes da Marvel nesse quesito. De fato, sabemos que Bucky Barnes foi levado a Wakanda e ainda está por lá, como mostra a cena pós-créditos de Pantera Negra, é isso que o conecta ao próximo filme do MCU, à próxima ameaça a Wakanda e a todo o planeta: Thanos.

A Estrada para o Ultimato continua amanhã com Vingadores: Guerra Infinita.


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