A Estrada para o Ultimato | Capítulo 17 – Thor: Ragnarok

Filme encerra a trilogia com um novo tom e uma vilã inesperada

A Estrada para o Ultimato | Capítulo 17 – Thor: Ragnarok

Mesmo com o sucesso financeiro que Thor e Thor: O Mundo Sombrio haviam conquistado, a Marvel Studios sabia que o Deus do Trovão podia alçar muito mais.

Os dois filmes agradaram o público, mas não apresentaram nada muito inovador ou diferente, apenas seguiram o padrão Marvel, com histórias “dentro da caixinha”, servindo mais como artifícios para contar a história das Joias do Infinito, no primeiro filme com o Tesseract e no segundo com o Éter. Chegara a hora de Thor enfrentar um vilão à altura, ganhar os holofotes novamente e encerrar sua trilogia com chave de ouro.

Em 2013, depois do lançamento de Thor: O Mundo Sombrio, o ator Chris Hemsworth havia revelado que tinha contrato assinado para mais um filme do Thor e mais dois filmes dos Vingadores, confirmando que uma sequência já estava nos planos da Marvel desde aquela época, porém, apesar do filme continuar a história contada em seu antecessor, o estúdio sabia que precisava renovar a abordagem que o personagem estava tendo nas telonas. Talvez a melhor forma de descrever essa mudança seja dizer que a ideia era sair de uma estética de Vingadores: Era de Ultron e partir mais para uma estética de Guardiões da Galáxia Vol. 2.

Com esse objetivo, Taika Waititi foi confirmado na direção, assim como Tessa Thompson foi anunciada como a Valquíria. Para conectá-lo aos recentes acontecimentos do Universo Cinematográfico Marvel e explicar sua ausência, assim como a de Thor, em Capitão América: Guerra Civil, Hulk retorna na pele de Mark Ruffalo confirmando os planos da Marvel Studios de, de alguma maneira, adaptar o famoso arco dos quadrinhos Planeta Hulk para as telonas, mesmo que não fosse em um novo filme solo do personagem. Outro ponto importante para mostrar essa mudança de direção que a franquia estava tomando foi a decisão de ausentar nesse filme a cientista Jane Foster, interesse romântico de Thor, que teve papel crucial em seus dois primeiro filmes.

Passados dois anos da Batalha de Sokovia, retratada em Vingadores: Era de Ultron, última aparição do Thor em filmes do MCU, o demônio de fogo Surtur, conta a Thor que seu pai não está mais em Asgard e que Loki acabara tomando conta do trono. De volta à Asgard, Thor expõe seu irmão e o obriga a ajudá-lo a encontrar seu pai, que estava em Midgard, na Terra, mais especificamente na Noruega.

Eles o encontram e Odin afirma que, de fato, está morrendo e que o Ragnarok, mito nórdico do fim dos tempos, está chegando de forma inevitável. Odin também revela a seus filhos a existência de uma filha mais velha, Hela, que há muitos anos foi sua fiel escudeira mas que foi aprisionada e apagada da história pois havia se tornado muito poderosa e ambiciosa.

Com a morte de Odin e o reaparecimento de Hela, que destrói o Mjölnir, os dois tentam voltar à Asgard através do Bifrost. Hela os persegue e consegue chegar à Asgard, mas Thor e Loki acabam sendo lançados para o planeta Sakaar, considerado um planeta-lixão, onde Thor é forçado a participar do Torneio de Campeões e enfrentar um grande oponente na arena do Grandmaster… o incrível Hulk.

Porém, o que parecia ser apenas um mal entendido, torna-se uma verdadeira batalha, já que Bruce Banner ainda não consegue controlar os instintos de Hulk e é capaz de destruir tudo o que vier pela frente, como foi visto em Vingadores: Era de Ultron.

Após a grande luta, Thor e Hulk conseguem escapar no mesmo Quinjet que levou Hulk a Sakaar, também visto em Vingadores: Era de Ultron, mas são seguidos pela Valquíria e Loki a mando do Grandmaster. Na verdade, o objetivo da Valquíria é ajudar o Thor e por conta disso ela decide manter Loki aprisionado. Ao chegarem em Asgard, Thor, Banner e Valquíria se deparam com com um ataque em massa de Hela, que ataca Heimdall para ter para si a espada que controla o Bifrost. A única saída para Thor deter sua irmã é o Ragnarok.

Apesar dos ambientes mais claros e coloridos presentes em Thor: Ragnarok, quem realmente acaba roubando a cena é a personagem mais densa e com o espírito mais introspectivo. Hela, interpretada pela fenomenal Cate Blanchett, conseguiu em apenas um filme, causar mais estrago físico e psicológico ao Deus do Trovão do que os Gigantes de Gelo em Thor, que Malekith em Thor: O Mundo Sombrio e que seu próprio irmão Loki em Os Vingadores. A passagem de Hela pelo Universo Cinematográfico Marvel foi curta mas a vilã poderia ser facilmente incluída no hall de melhores vilões do MCU.

De fato, o diretor Taika Waititi conseguiu dar uma nova cara ao universo que ronda o Deus do Trovão sem tirar a identidade do personagem, seu aliados e seus vilões. Desde o pôster, o filme traz uma paleta de cores mais intensas e o roteiro carrega piadas muito mais intensas do que dos filmes antecessores. O visual do próprio Thor está modificado, com um corte de cabelo mais curto, para intensificar ainda mais essa noção de mudança no tom, o que torna o filme mais leve e, devido à trama, mais aventuresco. Tudo em Thor: Ragnarok segue nessa direção e acabou provendo um resultado incrível para o ato final da trilogia, que termina com o encontro dos asgardianos com ninguém mais, ninguém menos que Thanos.

Não há futuros filmes solo do herói em produção, muito menos há contrato para novos filmes da Marvel Studios com o ator Chris Hemsworth. Como já dito, seu contrato na época de O Mundo Sombrio era para um filme solo, justamente Thor: Ragnarok, e dois filmes dos Vingadores, que vieram a se tornar Vingadores: Guerra Infinita e o tão esperado Vingadores: Ultimato. Isso é uma confirmação de que o personagem não vai mais dar as caras no MCU a partir da Fase 4? Podemos afirmar que Thor vai morrer em Vingadores: Ultimato? A verdade é que não há nada concreto. Hemsworth já revelou ao Access Hollywood que faria mais filmes “se as pessoas quisessem mais”, mas será que os fãs querem um quarto filme do Deus do Trovão?

Algumas dessas perguntas devem se responder em alguns dias. Enquanto o fatídico 25 de abril, estreia de Vingadores: Ultimato, não chega, seguimos na nossa estrada dessa vez rumo a Wakanda para falar de Pantera Negra.