A Estrada para o Ultimato | Capítulo 9 – Capitão América: O Soldado Invernal

Filme questiona se vale a pena depositarmos toda nossa confiança e privacidade nas mãos do governo.

A Estrada para o Ultimato | Capítulo 9 – Capitão América: O Soldado Invernal

Assim como aconteceu com Thor, uma sequência já estava planejada para Capitão América: O Primeiro Vingador antes mesmo do filme estrear. Em abril de 2011, três meses antes do primeiro filme do Capitão América chegar aos cinemas, os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely anunciaram que a Marvel havia os contratado para um segundo filme do herói, provando a confiança que a Marvel Studios tinha no personagem apesar das polêmicas por conta de um certo “sentimento anti-EUA ao redor do mundo” na época, o qual falamos melhor no artigo sobre o filme.

Segundo a dupla de roteiristas, a ideia do segundo filme seria “o Capitão contra o mundo que vivemos hoje” com toques excessivos de comédia em relação ao deslocamento temporal de Steve Rogers, que estava acostumado com uma vida nos anos 40 e agora precisa se adaptar ao século XXI. Na visão deles, o tom seria mais “pé no chão” para contrastar com os elementos de fantasia do primeiro Capitão América e de Os Vingadores. Com essa ideia em mente, o arco dos quadrinhos escolhido para ser levado às telonas não poderia ser outro senão Soldado Invernal, do Ed Brubaker.

No início, três eram as opções da Marvel para dirigir o filme: George Nolfi (Os Agentes do Destino), F. Gary Gray (Straight Outta Compton), e os irmãos Anthony e Joseph Russo (Tudo Por Um Segredo). Porém, após o produtor Kevin Feige assistir aos irmãos Russo dirigindo o último episódio da segunda temporada de Community, a decisão foi feita. Começava ali uma parceria longeva que resultaria na participação dos Russo não apenas em Capitão América: O Soldado Invernal, como também em Capitão América: Guerra Civil, Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato.

Passados dois anos da batalha de Nova York, vista em Os Vingadores, Steve Rogers ainda tenta encontrar seu lugar no mundo. Trabalhando na SHIELD sob o comando do diretor Nick Fury, Steve é apresentado ao Projeto Insight, que se trata de três porta-aviões conectados a todos os satélites do mundo, capazes de eliminar qualquer ameaça à Terra. Mal sabia Fury que na verdade o projeto era o primeiro passo para a ressurreição da HIDRA.

Durante todos esses anos em que Steve estava adormecido, acreditou-se que a HIDRA havia terminado. No pós-guerra, alguns dos melhores cientistas alemães foram incorporados à SHIELD para servir aos seus propósitos, porém o que a SHIELD não contava era que graças a isso a HIDRA começou a ganhar força novamente como uma ordem secreta dentro da própria SHIELD, encabeçada pelo mesmo Arnim Zola que ajudou o Caveira Vermelha com o Tesseract em Capitão América: O Primeiro Vingador.

Quando começou a suspeitar que havia algo de errado com o Projeto Insight, Nick Fury é dado como morto depois de ter seu carro perseguido e completamente destruído por agentes infiltrados da HIDRA e sua principal arma, o Soldado Invernal. Tomada pela HIDRA, a SHIELD declara Steve Rogers como fugitivo e envia o Soldado Invernal e seus agentes para matá-lo. Sem norte, Steve se une às únicas pessoas em que ele confia, Natasha Romanoff, a Viúva Negra, e Sam Wilson, o Falcão, em busca de um modo para desativar o Projeto Insight e evitar que a HIDRA utilize os porta-aviões para dizimar a população.

Porém, o que o Capitão América não contava era que o Soldado Invernal era Bucky Barnes, seu amigo de longa data do Exército, que havia sido dado como morto na Segunda Guerra Mundial, mas que na verdade foi capturado pela HIDRA, passando por diversos procedimentos de lavagem cerebral para obedecer aos interesses da organização como seu super-soldado.

A ideia de que, devido ao que aconteceu em Os Vingadores, a humanidade precisava estar preparada para uma nova ameaça a qualquer custo levanta o principal ponto do filme: até que ponto precisamos ter a nossa privacidade violada para termos nossa segurança garantida? É ético termos todas as nossas informações pessoais na mão do governo para ajudá-lo a garantir que nenhum mal vai nos atingir? E mesmo que assim ele o garanta, podemos confiar nele sempre para isso?

Nick Fury justifica sua visão baseado no fato de que “vive-se em um novo mundo”. É aí que o contraste do mundo de Steve Rogers com o mundo do século XXI começa a aparecer de verdade. O bloco de notas de Rogers com uma lista de filmes e músicas atuais para conhecer, mostrado no início do filme, é apenas uma alegoria perto do verdadeiro impacto desse contraste. Steve vem de uma América que via seus “pais fundadores” como figuras inquestionáveis e que defendia a liberdade acima de tudo, incluindo a promessa de um mundo seguro.

A revelação da HIDRA dentro da SHIELD prova que, apesar de parecer antiquado, a visão do Capitão está correta. No final das contas, não podemos dar poderes supremos na mão do governo por mais benevolente que ele pareça, porque a qualquer momento ele pode deixar de ser ou mostrar que na verdade nunca foi. É exatamente o que acontece com a SHIELD, uma instituição em que todos depositavam sua confiança mas que acaba perecendo sob os interesses da HIDRA.

O fim da SHIELD como a conhecemos torna Capitão América: O Soldado Invernal um dos filmes de mais relevância para o Universo Cinematográfico Marvel. Os acontecimentos do filme refletem diretamente na série de televisão Agents of SHIELD, protagonizada pelo agente Coulson e sua equipe, que também contém agentes da HIDRA infiltrados. O passo-a-passo da HIDRA para criar o programa Soldado Invernal e tomar a SHIELD a partir dos anos 40 pode ser visto na série de televisão Agent Carter.

Como se o filme já não estivesse conectado suficiente ao MCU, a primeira cena pós-créditos abre alas para Vingadores: Era de Ultron, mostrando o cetro do Loki nas mãos do Barão von Strucker e a existência de mais dois superpoderosos, Pietro e Wanda Maximoff, que futuramente se tornariam o Mercúrio e a Feiticeira Escarlate.

Mas antes de irmos para Vingadores: Era de Ultron, Peter Quill e seus amigos nos chamam a bordo da Milano para falar, aqui n’A Estrada para o Ultimato, sobre Guardiões da Galáxia amanhã.


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