A Estrada para o Ultimato | Capítulo 7 – Homem de Ferro 3

Filme encerra a trilogia com tropeços e personagens caricatos.

A Estrada para o Ultimato | Capítulo 7 – Homem de Ferro 3

Dando início a Fase 2 da Saga do Infinito do Universo Cinematográfico Marvel, Homem de Ferro 3 tem a missão de expandir ainda mais o universo da Marvel Studios no cinema ao mesmo tempo em que precisa concluir a trilogia de Tony Stark. Quando o filme foi anunciado em 2010, as expectativas eram altas por conta do nível de Homem de Ferro e Homem de Ferro 2, e aumentaram ainda mais depois do grande sucesso que foi Os Vingadores.

Ao contrário dos dois primeiros filmes do herói, Jon Favreau não estava mais na cadeira de direção. O renomeado diretor decidiu se dedicar ao filme Magic Kingdom, que até hoje nunca viu a luz do dia, e a direção de Homem de Ferro 3 acabou ficando com Shane Black, que até aquele momento só havia dirigido Kiss Kiss Bang Bang (2005) mas que posteriormente veio a dirigir The Nice Guys (2016) e O Predador (2018).

Segundo o diretor, a sua visão para o filme era de “um techno-thriller ambientado em um mundo mais real do que Os Vingadores”. Plausível, já que o filme, assim como o primeiro da trilogia, traz à tona a questão do terrorismo enquanto que Os Vingadores lida com um universo cósmico e fantástico de semi-deuses e alienígenas. Black também descreve o longa não como “dois homens em armaduras de ferro lutando um contra o outro” mas como algo mais “um thriller ao estilo Tom Clancy”.

Bom, a visão do diretor não destoava do que já havia sido estabelecido para o personagem em seus filmes anteriores, então era de se esperar que o longa mantivesse a qualidade de seus antecessores. Será que foi isso mesmo o que aconteceu?

Homem de Ferro 3 nos leva de volta a 1999, quando na festa da virada de ano para o novo século, Tony Stark conhece os cientistas Maya Hansen, criadora de uma tecnologia de tratamento regenerativo chamada Extremis, e Aldrich Killian, que os oferece uma parceria com sua empresa Advanced Idea Mechanics. Ainda individualista e prepotente à época, Stark rejeita a proposta com desdém do cientista, porém Maya acaba indo trabalhar com ele para desenvolver melhor a tecnologia Extremis.

Stark segue em frente mas a marca da rejeição fica em Killian até os dias atuais. Com a tecnologia Extremis em mãos, Killian suborna o vice-presidente dos EUA e cria uma rede terrorista falsa, “comandada” pelo mega-terrorista Mandarim, que na verdade não passa de um ator. A intenção é roubar a armadura do Máquina de Combate, que agora usa a alcunha e Patriota de Ferro, e matar o atual presidente Matthew Ellis. Do outro lado da história, Tony Stark compra briga contra o Mandarim quando um dos membros de sua organização terrorista atenta contra a vida de Happy, chefe de segurança das Indústrias Stark e amigo pessoal de Tony.

Depois de fazer ameaças a Mandarim em cadeia nacional de televisão, Stark tem sua mansão atacada e destruída pelos capangas de Killian. Felizmente, Pepper consegue sobreviver mas Stark é dado como morto. A verdade é que Tony, graças ao JARVIS, foi secretamente para o Tennessee averiguar o local das explosões do último grande atentado de Mandarim e acaba descobrindo, com a ajuda de Harley, um garoto esperto de 10 anos de idade, a ligação de Killian e da tecnologia Extremis com a rede terrorista.

Apesar da trama girar entorno da ameaça terrorista aos Estados Unidos, algo que tem uma conexão muito forte com o mundo real e que já foi explorada diversas vezes nos quadrinhos, a resolução desagradou grande parte do público por conta de ser caricata ao extremo. A tecnologia Extremis dando habilidades sobrenaturais aos capangas de Killian e o fato de que o Mandarin nada mais é do que um alívio cômico tirou todo o foco e a seriedade da questão que o filme havia levantado.

Quando vimos um grande empresário como Obadiah Stane financiando uma rede terrorista em Homem de Ferro, primeiro filme da trilogia, aquilo era crível pois suas motivações eram reais e sua sede de poder eram uma verdadeira ameaça à Tony Stark, não apenas à sua vida mas em relação ao futuro das Indústrias Stark. Por mais vilanesco que seja o plano de Killian, a introdução de Mandarim, vilão clássico das HQs muito esperado pelos fãs para ser o antagonista da conclusão da trilogia, como um fantoche foi um banho de água fria para o espectador.

Nosso primeiro artigo aqui n’A Estrada para o Ultimato falou justamente sobre como temas políticos sempre estiveram presentes no Universo Cinematográfico Marvel desde o começo. O que Homem de Ferro 3 é pegar toda essa construção, que se iniciou em Homem de Ferro, e transformar em uma oportunidade para mais uma piada dentro do filme. Desnecessário, visto que a interação de Tony com o garoto Harley já preenchia suficientemente a cota de humor no longa.

Porém, mesmo com a crítica caindo em cima, Homem de Ferro 3 chegou perto de ultrapassar Os Vingadores no quesito bilheteria: foram mais de 1.2 bilhão de dólares arrecadados, aproximadamente apenas 300 milhões de dólares a menos que Os Vingadores. É nítido que um filme impulsionou o outro, mas Homem de Ferro 3 tem seus méritos: conseguiu concluir o arco de Tony Stark, mostrando que seu heroísmo vai além de suas armaduras de alta tecnologia, e também conseguiu criar conexões sólidas com o Universo Cinematográfico Marvel, abordando bem o Transtorno de Estresse Pós-Traumático de Tony após os acontecimentos de Os Vingadores.

De fato, um início de Fase 2 conturbado para o Universo Cinematográfico Marvel, mas nada que o impeça de voltar aos eixos nos próximos filmes. Continuamos A Estrada para o Ultimato amanhã com Thor: O Mundo Sombrio.


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