Leia a nossa crítica de Shazam!

Divertido, honesto e com o coração no lugar certo, Shazam! soa satisfatório, mesmo deixando uma sensação de que poderia ter sido mais.

Leia a nossa crítica de Shazam!

Dando continuidade à proposta da Warner Bros. de seguir uma visão mais leve de seus personagens e suas histórias, chegou aos cinemas na última quinta-feira(04) o filme Shazam!, mais novo longa da reformulação do universo cinematográfico da DC, agora conhecido como Mundos da DC.

Dirigido por David F. Sandberg, o filme adapta dos quadrinhos a história de Billy Batson, um garoto órfão que após encontrar-se inesperadamente com um antigo mago recebe poderes divinos sempre que fala a palavra Shazam!. Entre os principais poderes e habilidades do herói estão a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, a resistência de Atlas, os poderes mágicos de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mércurio, que o transformam no mortal mais poderoso da Terra.

Com um início didático o filme apresenta Thaddeus Sivana (Mark Strong), o futuro vilão da trama, que ainda quando criança é convocado à presença do Mago Shazam! (Djimon Hounsou), que está em busca de um sucessor para atuar como o campeão que irá proteger o mundo das forças do mal. Porém, Sivana – que tem uma relação nada saudável com seu pai e irmão – acaba se deixando levar pela influência dos Sete Pecados Capitais, fazendo com que o Mago o rejeite de forma ríspida, tornando o pequeno em um frustrado que mais tarde se tornaria um engenhoso cientista sedento pelos poderes mágicos de Shazam.

Com uma trama fluída que se permite apresentar personagens sem pressa, entra o protagonista Billy Batson, que após ser pego em mais uma de suas escapadas é novamente encaminhado para outra família, os Vasquez. Com Asher Angel no papel principal, temos uma das atuações mais seguras do longa, principalmente quando nos é mostrado que Billy escolhe ser solitário e por vezes egoísta, características que se mantém firmes durante boa parte do longa e que ficam evidentes quando o ator contracena com os membros da sua nova família e principalmente com Jack Dylan Grazer, que dá vida a Freddy Freeman, seu novo irmão adotivo, que sem dúvidas é uma das grandes surpresas do filme, tanto pelo seu timing de comédia preciso, quanto por ter entendido bem o personagem, conseguindo entregar boas cenas quando foi preciso mostrar um paralelo entre ele e a versão super-heroica de Batson.

A química entre os atores em Shazam! é nítida e já vinha sendo notada desde a campanha promocional do filme liderada por Zachary Levi, Asher Angel e Jack Dylan Grazer. No entanto, quando Billy finalmente recebe os poderes do Mago e transforma-se no herói adulto, foi possível perceber uma notável — e incômoda — mudança de personalidade no seu alter-ego. O meu ponto aqui é destacar que enquanto Billy Batson é apresentado como um garoto introspectivo, a forma super-heroica vivida por Zachary Levi — que nitidamente deu tudo de si no papel — parece ser outra pessoa e não o mesmo Billy, que mesmo mostrando uma natural empolgação por agora ser dotado de tantos poderes, sempre surge em tela com muitos exageros, tanto no texto quanto na atuação, principalmente quando aparece cara a cara com o vilão, onde se resume a um adulto por vezes boboca. Mesmo com esse adendo, de forma individual, Billy e Shazam (Zachary Levi) funcionam muito bem quando estão na presença de Freddy, que possui uma das falas mais poderosas do filme sobre a sua condição e o quanto gostaria de ser como um herói, ligando uma chave na cabeça do protagonista, fazendo-o ter um pouco mais de empatia e um insight sobre o seu verdadeiro papel como herói.

Mesmo sendo um bom ator, Mark Strong não deixou de entregar um vilão caricato no melhor (ou pior) estilo britânico sisudo, assim como já havia feito em Sherlock Holmes (2009) ao interpretar Lord Blackwood. Ainda assim, mesmo com a aparente falta de carisma, o Sivana de Mark Strong tem o que é preciso para a formação de um bom vilão. Sua origem traumática o fez um megalomaníaco cruel, que nunca hesita em fazer os atos mais bárbaros em prol de vingança ou do cumprimento dos seus objetivos, colocando a todos em risco sempre que está em cena.

Com dificuldade em saber usar o drama, o filme se afirma mesmo como uma boa comédia de aventura, reforçando que a DC e a Warner não precisam viver necessariamente do famigerado tom sombrio e realista, implementado anteriormente nos filmes da casa pelo diretor Zack Snyder. Divertido, honesto e com o coração no lugar certo, Shazam! soa satisfatório, mesmo deixando uma sensação de que poderia ter sido mais.

PONTOS POSITIVOS:

  • Generosa parcela de surpresas que não foram reveladas durante a campanha promocional;
  • Humor muito bem dosado.

PONTOS NEGATIVOS:

  • Mal uso dos Sete Pecados Capitais, que são praticamente resumidos a monstros sem personalidade;
  • Ação confusa no clímax do terceiro ato.

Nota: 3 / 5

Shazam! está em cartaz nos cinemas e possui duas cenas pós-créditos.


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