A Estrada para o Ultimato | Capítulo 5 – Capitão América: O Primeiro Vingador

O Capitão América é a peça final que a Iniciativa Vingadores precisava.

A Estrada para o Ultimato | Capítulo 5 – Capitão América: O Primeiro Vingador

Durante essa Estrada para o Ultimato, mesmo com apenas quatro filmes analisados até então, nos deparamos com obras que ousam em sair da “caixinha” do mero e simples entretenimento e abordam questões sociais e políticas densas, mesmo que nas entrelinhas. Criado por Joe Simon e Jack Kirby em 1941, o Capitão América sempre foi um personagem que passou por dilemas e levantou questões como essas. Símbolo do patriotismo americano, Steve Rogers sempre foi um ávido defensor da liberdade e da luta contra forças autoritárias, como o nazismo e o comunismo. Isso torna-se evidente ao olharmos para a primeira edição de Captain America Comics, revista que introduziu o herói, que trazia o Capitão dando um murro em Hitler em plena capa.

Na época, existia um grande consenso sobre a defesa desses valores ocidentais porém, quando Capitão América: O Primeiro Vingador foi anunciado, muito se falou sobre um possível fracasso do filme devido a um sentimento anti-EUA ao redor do mundo. “A Marvel é muito bem reconhecida em todo o mundo agora e acho que colocar outro grande herói da Marvel nas bilheterias mundiais seria uma coisa boa. […] Temos que lidar com isso da mesma maneira que o Capitão América, quando descongelado do gelo do Ártico, entrou em um mundo que ele não reconhecia”, disse Kevin Feige em defesa do filme.

Avi Arad, produtor de Homem de Ferro e O Incrível Hulk ao lado de Feige, disse à época que “o Capitão América significa liberdade para todas as democracias, para esperança em todo o mundo. Ele foi criado para parar a tirania e a ideia de parar a tirania é importante hoje como era naquela época. Então eu acho que teremos alguns desafios interessantes, mas no final do dia, se o filme é fantástico e o filme fala para o mundo, não é sobre um lugar, é sobre o mundo e eu acho que ele será muito bem sucedido.” No final das contas, ele estava correto.

Muitos anos antes de Nick Fury apresentar o Tesseract ao Dr. Eric Selvig, como vimos na cena pós-créditos de Thor, o cubo já havia passado pelas mãos de muita gente. Ao roubá-lo da torre de Tønsberg, na Noruega, o oficial nazista Johann Schmidt, que mais tarde se revelaria como o Caveira Vermelha, com a ajuda do Dr. Arnim Zola, aproveitam a energia do Tesseract para energizar as invenções de Zola, que ajudariam os nazistas a sair na frente na Segunda Guerra Mundial.

Do outro lado do mundo, os americanos também acreditavam que tinham o artefato perfeito para sair na frente na Segunda Guerra, o Soro de Super-Soldado, que já havia sido citado em O Incrível Hulk. A “vítima” desse soro? Steve Rogers, um garoto magro, baixo mas com um enorme coração e vontade para servir o seu país, o perfil ideal para o Dr. Abraham Erskine testar a sua criação com a ajuda do engenheiro Howard Stark e a supervisão do coronel Chester Phillips e a agente Peggy Carter.

O experimento não apenas dá certo, como Steve ganha destaque internacional no manto de Capitão América. O American way of life e a propaganda política tornam o Capitão um símbolo de novos tempos e esperança de uma vitória americana na guerra. O uniforme com cores azul e vermelha e o escudo com estrelas brancas fazem os Estados Unidos, que sempre tiveram aversão a princípios populistas, ganharem um ícone popular que serviria de espelho para a juventude assim como a Alemanha nazista, que tinha o populismo em suas raízes, tinha Adolf Hitler.

Apesar do Capitão América ser o personagem-símbolo disso, não é a primeira vez que o Universo Cinematográfico Marvel aborda essa temática. Em Homem de Ferro, Tony Stark também é vendido ao povo dessa forma quando as Indústrias Stark ajudavam o exército americano na construção de armas de destruição em massa, antes do fatídico episódio da caverna e o surgimento da armadura de Homem de Ferro. Tony guiava o American way of life para uma era de glória, assim como Steve Rogers o fez em tantas vitórias em campo ao lado de seu fiel amigo Bucky Barnes.

Porém, não é o heroísmo de Rogers com o manto de Capitão América que chama a atenção da jovem Peggy Carter. A grande lição de Capitão América: O Primeiro Vingador é sobre o eu interior de Steve, não a versão heróica que o mundo conhece, afinal é isso o que o leva a ser o escolhido em primeiro lugar pelo Dr. Erskine para ganhar os poderes do Soro de Super-Soldado. “Independente do que aconteça amanhã, você deve me prometer uma coisa: que você vai permanecer quem você é. Não um soldado perfeito, mas um bom homem” são as palavras do cientista para Steve no dia anterior à aplicação do soro.

E o Capitão América leva isso consigo até o final. Apesar de conseguir derrotar as forças nazistas, Steve também tem baixas: seu amigo Bucky se foi e, ao acabar com o Caveira Vermelha, ele não é capaz de controlar seu avião, decidindo se sacrificar jogando o avião contra a geleira do Ártico do que tentar a sorte o pousando em um aeroporto em uma área urbana, rodeado de civis. Seria o seu adeus ao manto de Capitão América, seu adeus à Peggy Carter e seu adeus ao mundo, mas ele não contava com o que a SHIELD seria capaz de fazer quase 70 anos depois.

Descongelado e de volta à vida em pleno 2011, Steve Rogers agora precisa não apenas ser o herói de uma nação, mas também o herói de um planeta. O Capitão América é a peça final que a Iniciativa Vingadores precisava, porque sem ele não seria tarefa fácil defender o mundo de Loki e os Chitauri.

A Estrada para o Ultimato continua amanhã com Os Vingadores.


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