A Estrada para o Ultimato | Capítulo 4 – Thor

Com roteiro redondo, Thor da início a chamada Saga do Infinito no UCM.

A Estrada para o Ultimato | Capítulo 4 – Thor

Depois de Homem de Ferro e Hulk, chegara a hora do Deus do Trovão ganhar seu filme no Universo Cinematográfico Marvel. Porém, apesar da Marvel Studios estar embalada com o grande sucesso de seus filmes, levar o Thor às telonas foi uma tarefa árdua.

Tudo começou ainda em 1990, quando Sam Raimi, que acabou ficando conhecido por dirigir a trilogia Homem-Aranha, levou seu interesse de produzir um filme do Thor a Stan Lee e a Fox, sem obter sucesso. Posteriormente, já após a virada do século, com o sucesso do primeiro filme dos X-Men, a emissora americana UPN manifestou interesse em produzir um filme do personagem para a televisão, chegando até a escalar o ator Tyler Mane, que havia feito o Dentes-de-Sabre no longa dos mutantes, para o papel.

Depois de mais uma tentativa falha, a franquia começou a pular de galho em galho: a Sony adquiriu os direitos do personagem e, em 2004, sondou David S. Goyer (Esquadrão Suicida) para o roteiro e a direção. Em 2006, os direitos foram para a Paramount, que queriam Mark Protosevich no roteiro, até que no mesmo ano o filme foi anunciado como uma produção da Marvel Studios, mantendo Protosevich no cargo. Guillermo Del Toro foi convidado para dirigir o longa mas, por conta do seu envolvimento em O Hobbit, quem ficou com a cadeira foi Kenneth Branagh. Em junho de 2009, Chris Hemsworth e Tom Hiddleston foram anunciados como Thor e Loki, respectivamente.

Pela primeira vez, somos levados milhares de anos no passado no Universo Cinematográfico Marvel. Os Gigantes de Gelo de Jotunheim, liderados por Laufey (Colm Feore), estão em uma missão para conquistar os nove reinos mas são impedidos pelos Asgardianos, liderados por Odin (Anthony Hopkins), pai de Thor. Porém, já no século XXI, quando Thor está prestes a ser coroado rei de Asgard, os Gigantes de Gelo retornam para roubar o Cofre dos Antigos Invernos. Sem a permissão do pai, Thor, seu irmão Loki e seus amigos guerreiros vão à Jotunheim declarando vingança pelo o que os Gigantes haviam feito.

Falhando em sua missão, Thor retorna a Asgard e é punido por desobediência. Seu pai Odin retira seus poderes, o tornando indigno de levantar o Mjölnir, seu martelo, e os envia para Midgard (Terra) como castigo. Em nosso planeta, no Estado americano do Novo México, o Deus do Trovão é encontrado pela cientista Jane Foster (Natalie Portman) e seus parceiros de trabalho Darcy (Kat Dennings) e Erik Selvig (Stellan Skarsgård). Já o Mjölnir, é encontrado pela população e vira atração local para ver quem consegue levantá-lo, até que a SHIELD encontra o martelo – como vimos na cena pós-créditos de Homem de Ferro 2 – e interdita a região para estudar o fenômeno com o auxílio do agente que futuramente se tornaria um Vingador, Clint Barton.

Com o afastamento de seu irmão e a descoberta de que era na verdade filho de Laufey, Loki começa a ganhar força como o primeiro grande vilão do Universo Cinematográfico Marvel. Não à toa conhecido como Deus da Trapaça, o jovem arquiteta sua escalada à cadeira de rei de Asgard e move suas peças para impedir o retorno de Thor. Ao contrário das referências sutis à literatura clássica encontradas em Homem de Ferro e mencionadas no primeiro artigo da nossa série, não é necessário dizer que as referências aqui são bastante nítidas.

A personalidade de Loki é extremamente semelhante a de sua inspiração homônima da mitologia nórdica. O Edda em verso, primeira grande coleção de poemas nórdicos preservada pelo Codex Regius a mando do rei Frederico III da Dinamarca em 1662, traz as primeiras referências históricas não só ao personagem, mas também seu irmão. É no poema Þrymskviða, ou A canção de Thrym, que Thor acorda e percebe que perdeu o seu martelo, porém, ao contrário do que acontece no filme, Loki ajuda Thor a recuperá-lo em Jotunheim.

Indignado então
estava Wingthor,
acordando,
para encontrar desaparecido
Miolnir, seu martelo.
Ele balançou sua barba
e sua cabeça desgrenhada:
O filho da Terra
procurou como encontrá-lo.
Primeiro de tudo disse ele
a seguinte palavra:
“Ouça agora, Loki,
o que eu te digo;
Ninguém sabe disso
nenhum lugar na Terra
Nem no céu:
O martelo deste Ase foi roubado!

– Trecho do poema de Thrym, em tradução livre

O fato de o filme, por praticamente toda sua duração, se dividir apenas entre Asgard e o Novo México fazem com que a trama se desenvolva de uma forma leve, “redonda”, método o qual a Marvel basicamente estabeleceu como um padrão para seus filmes. O tão falado padrão Marvel de filmes “dentro da própria caixa” começa a dar as caras em Thor.

Alguns elogiam o filme e esse padrão por gerar filmes de boa qualidade com alta frequência, outros acusam o padrão de limitar o poder criativo dos diretores e abdicar de um melhor desenvolvimento entre os personagens nos longas, como é o caso da relação entre Thor e Jane Foster aqui, onde não vemos muito da personalidade da cientista, a reduzindo a um instantâneo par romântico do Deus do Trovão.

Por outro lado, a necessidade dos filmes “estarem na caixa” se faz presente para apresentar o grande enredo da Saga do Infinito, que a Marvel começa de fato a desenvolver apenas em Thor com a presença do Tesseract, o cubo cósmico que abriga a Joia do Espaço, primeira das seis Joias do Infinito do Universo Cinematográfico Marvel.

Apresentada por Nick Fury ao Dr. Erik Selvig, controlado por Loki, na cena pós-créditos do filme, o cubo é peça crucial em Capitão América: O Primeiro Vingador, Os Vingadores, Capitã Marvel e, claro, Vingadores: Guerra Infinita, permitindo a Thanos transitar instantaneamente entre diferentes planetas.

Ness’A Estrada para o Ultimato, uma das joias já foi encontrada. Continuamos em busca das próximas amanhã, falando sobre Capitão América: O Primeiro Vingador.

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