A Estrada para o Ultimato | Capítulo 2 – O Incrível Hulk

Nem muito incrível, nem muito Hulk.

A Estrada para o Ultimato | Capítulo 2 – O Incrível Hulk

A nossa jornada para Vingadores: Ultimato começou com o pé direito com Homem de Ferro, porém sabemos que após o pé direito, vem o esquerdo. A regra não deixa de se aplicar ao Universo Cinematográfico Marvel (MCU). O sucesso do filme de Tony Stark jogou as expectativas para O Incrível Hulk, lançado no mesmo ano, lá em cima, mas os produtores Kevin Feige e Avi Arad não conseguiram alcançá-la.

Assim como Homem de Ferro, a produção de O Incrível Hulk não foi tarefa fácil. Originalmente, o filme estava sendo planejado como uma continuação de Hulk, do diretor Ang Lee, lançado em 2003, com o Hulk Cinza como vilão, mas a ideia não foi bem vista por Kevin Feige, que queria deixar o filme de 2003 como um one-shot e fazer o novo longa ser realmente um novo começo para o Hulk nos cinemas. É nítido que a franquia Hulk, ao contrário do personagem, não obteve sucesso posteriormente, mas ao menos essa foi uma decisão acertada por parte da produção do filme.

O escolhido para dirigir O Incrível Hulk foi Louis Leterrier, que já havia expressado vontade em dirigir Homem de Ferro anteriormente mas, como sabemos, o estúdio acabara optando por Jon Favreau. Então decidiu-se compensar para com Leterrier dando a ele a cadeira da direção do filme seguinte.

Para a alegria (ou tristeza) de nós brasileiros, o Rio de Janeiro é o primeiro palco dos conflitos entre Bruce Banner (Edward Norton) e a equipe do General Ross (William Hurt) – aquele mesmo de Capitão América: Guerra Civil. Em plena favela da Rocinha, Bruce tenta reconstruir sua vida como fugitivo depois de um acidente trágico na Universidade de Culver, na Virgínia, envolvendo radiação gama. O objetivo do experimento que resultou no acidente, para o General Ross, era recriar o programa de Super Soldado, que teve sucesso com a criação do Capitão América durante a Segunda Guerra Mundial.

O conflito interno entre Bruce e o Hulk está presente desde o começo, tanto que Banner está sempre contando os próprios batimentos cardíacos na tentativa de jamais deixar a besta dentro dele se manifestar. Infelizmente, ele não obteve sucesso nessa empreitada na Rocinha e fez com que o Hulk entrasse em ação, assustando até mesmo Emil Blonsky, soldado de elite de Ross que posteriormente se transforma no Abominável.

Outro fator que acirra ainda mais o antagonismo entre Banner e Ross é o fato de que Bruce deixara para trás Betty Ross, filha do general, a qual o cientista possuía um relacionamento amoroso antes do acidente com radiação gama. Banner se esconde tão longe não apenas para se manter distante do governo americano e a equipe de inteligência do General Ross, mas também para proteger sua amada de si mesmo, um ser que a qualquer momento pode se transformar em uma criatura descontrolada.

Ao estabelecer essa trama, o longa segue em uma briga de gato e rato em que Bruce foge de um país a outro, a equipe de Ross o encontra e o confronta por diversas vezes, até que o cientista chega aos Estados Unidos, decide retornar à Universidade de Culver e toma coragem para se reaproximar de Betty. Mas nada é tão fácil quanto parece, assim como também não é nada fácil para o espectador esperar tanto para finalmente ver o enredo começar a se desenvolver.

A verdade é que o que se espera de um filme do Hulk, ao menos, são cenas grandiosas de destruição em massa, bons efeitos especiais para retratar o herói de forma fidedigna e bater de frente com o drama de Bruce como um cientista introspectivo. Porém, nada disso funciona muito bem em O Incrível Hulk. Até mesmo na grande batalha final entre o Hulk e o Abominável em Nova York, o filme não dá ao espectador o senso de proporção da destruição que um filme como Os Vingadores, que também conta com uma grande batalha em Nova York, consegue dar.

Os efeitos especiais deixam a desejar nos detalhes. Os traços do Hulk em computação gráfica realmente se assemelham aos de Edward Norton, mas seus cabelos e seus movimentos corporais parecem muito estáticos. E falando em Edward Norton, infelizmente o ator não consegue convencer como Bruce em nenhum dos aspectos, seja como um herói incompreendido, como um apaixonado relutante, como um cientista angustiado por suas escolhas.

Todos esses fatores fazem com que O Incrível Hulk seja o filme mais descolado da estética e do padrão dos filmes do MCU. Em poucas linhas em Os Vingadores, já sendo personificado pelo ator Mark Ruffalo, conseguimos entender muito melhor o que Bruce e o Hulk passaram do que durante as duas horas do filme de Leterrier. Prova disso é que o longa não deslanchou, arrecadando apenas 260 milhões de dólares, com o custo de 150 milhões. Não só isso como a propriedade Hulk também não obteve sucesso: desde então o personagem ganhou muito carinho do público, mas em filmes com outros super-heróis, como o já citado Os Vingadores e Thor: Ragnarok.

O que de fato conecta O Incrível Hulk ao Universo Cinematográfico Marvel é o encontro inesperado de Tony Stark com o General Ross na cena pós-créditos. “Nós estamos montando um time”, disse Stark. “Nós quem?”, retruca o general. E assim os caminhos da Fase 1 dessa Saga do Infinito começam a se moldar.

Em geral, a obra é negativa para o Hulk como personagem mas ainda bem que, apesar dos apesares, ele ganha cada vez mais destaque no MCU. Afinal, nós sabemos que no final das contas, o Hulk… esmaga!

Continuamos na nossa Estrada para o Ultimato amanhã com Homem de Ferro 2.

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