A Estrada para o Ultimato | Capítulo 1 – Homem de Ferro

Em grande estilo, Homem de Ferro dá o pontapé do Universo Cinematográfico Marvel

A Estrada para o Ultimato | Capítulo 1 – Homem de Ferro

O ano era 1990. A Universal Studios havia acabado de adquirir os direitos do Homem de Ferro para produzir um filme de baixo custo com Stuart Gordon na direção. O projeto não saiu do papel, então em 1996 foi a vez da Fox adquirir os direitos da Universal. Em 1997, ninguém menos que Nicolas Cage se ofereceu para protagonizar o filme, caso ganhasse vida. Em 1998, foi a vez de Tom Cruise se colocar à disposição da Fox para o mesmo propósito. Um ano depois, Quentin Tarantino foi cotado para a direção do longa. Mas no final das contas, nada deu certo. Os direitos da propriedade foram vendidos novamente, dessa vez para a New Line Cinema, que também não conseguiu trabalhar a propriedade, até que finalmente, em 2005, Homem de Ferro caiu de volta no colo do Marvel Studios.

Depois de tanto vai-e-vem, muitos poderiam dizer que a franquia estava condenada, que nunca veria a luz do dia, mas, como o tempo é o senhor da razão, sabemos que Homem de Ferro não apenas saiu do papel, como foi o grande sucesso que deu o pontapé para um universo de histórias fantásticas.

De um lado, a Marvel via a Fox brilhar com seus filmes dos X-Men. Do outro, era a Sony mostrando a que veio com a trilogia do Homem-Aranha. Eles sabiam que precisavam dos melhores para colocar o Homem de Ferro no hall dos grandes heróis do cinema. Foi por isso que Avi Arad foi chamado. O produtor dos maiores filmes de super-heróis até então se uniu a Kevin Feige para colocar as peças em seus devidos lugares: a primeira delas, Jon Favreau. Arad já havia trabalhado com Favreau em Demolidor (2003) e conhecia o seu potencial como diretor. A segunda peça: Robert Downey Jr, o homem dos altos e baixos, a representação viva do que o Homem de Ferro representa. E a última peça, mas não menos importante: um grupo de quadrinistas consultores formado por Mark Millar, Brian Michael Bendis, Joe Quesada, Axel Alonso e muito mais.

O tabuleiro estava na mesa, chegara a hora de começar a jogar.

Devido às últimas edições do Oscar, muito se fala atualmente sobre a mistura de cinema e política. Em filmes de heróis, que em teoria deveriam prezar pelo entretenimento e diversão, a discussão é ainda mais controversa, mas acredite: isso é o que dá início ao Universo Cinematográfico Marvel. Tudo começa no Afeganistão, Tony Stark e seu parceiro Coronel James Rhodes estão no país para demonstrar uma nova bomba de destruição em massa desenvolvida pelas Indústrias Stark, chamada Jericho, até que Tony é capturado por um grupo terrorista chamado Os Dez Anéis. O grupo leva Tony a uma caverna e ordena que o cientista construa uma bomba similar à Jericho com a ajuda do professor Ho Yinsen, senão ele jamais será liberto. Porém, Stark percebe que há algo incomum ali: Os Dez Anéis utilizam tecnologia Stark.

É óbvio que a personalidade individualista/dono-de-si de Tony Stark o fez ignorar totalmente as ordens dadas pelo grupo terrorista, começando a trabalhar secretamente em uma armadura que o ajudaria a fugir dali. Dito e feito: apesar do poderio dos terroristas, Tony escapa, mas a caverna deixara marcas profundas em sua personalidade.

O mito da caverna, uma alegoria idealizada por Platão e presente em diversas obras literárias como Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, ou em filmes como Matrix, é subvertida em um processo de transformação em Homem de Ferro. Presente na obra A República, a parábola conta que, ao viver na caverna, a personagem está presa à escuridão e só encontrará a verdade através da luz. Em Homem de Ferro, a luz aparece ao personagem justamente por suas experiências dentro da caverna. É através da morbidez da escuridão que Tony repensa suas convicções e muda sua filosofia de vida. Ao sair, ao encontrar a luz fora da caverna, Tony já é um homem transformado. O mesmo processo de subversão do mito da caverna pode ser encontrado também em outra famosa obra da cultura pop, Star Wars: O Império Contra-Ataca, quando Luke Skywalker passa por uma experiência lúdica dentro da caverna no planeta Dagobah, onde mata Darth Vader e depois observa que o rosto de Vader é o seu próprio.

Convicto de suas mudanças pessoais e com novos objetivos para as Indústrias Stark, Tony se aproxima de sua assistente pessoal Pepper Potts e anuncia o fim da produção de armas pela empresa. Essa atitude chateia o seu sócio, Obadiah Stane, empresário de longa estrada que era sócio das Indústrias Stark desde a época que em Howard, pai de Tony, comandava a empresa. Porém, Obadiah não consegue esconder que já estava chateado com as atitudes de Tony há muito tempo, tanto é que não é difícil concluir a ligação entre Obadiah e Os Dez Anéis, munidos de tecnologia Stark.

A grande crítica não só do longa mas de toda a trilogia Homem de Ferro então finalmente se apresenta: a lucratividade da guerra. Seja sob administração de Bush ou Obama, Republicanos ou Democratas, os Estados Unidos são mundialmente conhecidos por serem grandes financiadores da guerra. Cansamos de ver a Inteligência Americana financiando grupos extremistas de um lado para acabar com extremistas do outro lado e isso se tornando uma bola de neve com o tempo. Em Homem de Ferro, Obadiah é a representação dessa ganância. Nas entrelinhas, a crítica vai além do poder a qualquer custo.

Tudo isso, muito bem embalado ao som de clássicos do rock como Back in Black, do AC/DC, e claro Iron Man, do Black Sabbath, dão o tom positivo do filme do início ao fim. Poucos filmes do Universo Cinematográfico Marvel tem trilhas sonoras tão marcantes, e é possível que Homem de Ferro esteja nessa lista abaixo apenas de seu sucessor, Homem de Ferro 2, e dos dois longas dos Guardiões da Galáxia. A Marvel, quando quer, sabe combinar o melhor da música com o espírito da obra que está sendo exibida.

Por fim, não poderíamos esquecer do que vem ao final de todos os filmes da Marvel desde 2008: a cena pós-créditos. Apesar de recém-nascido à época, o Universo Cinematográfico Marvel já começava a tomar forma com a visita de Nick Fury à Mansão Stark e a apresentação da Iniciativa Vingadores. Faz total sentido, afinal, como Tony havia finalmente revelado ao mundo…

“Eu sou o Homem de Ferro.”

Continuamos a jornada por essa estrada amanhã com O Incrível Hulk.

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