Crítica | Empoderada e destruidora, Capitã Marvel faz sua estreia no MCU

Longa se torna o primeiro filme solo de uma personagem feminina da Marvel.

Crítica | Empoderada e destruidora, Capitã Marvel faz sua estreia no MCU

Após o estrondo causado por Vingadores: Guerra Infinita, os fãs do MCU ficaram à espera do novo grande lançamento do estúdio, que daria continuidade à história que acompanhamos nos cinemas há mais de dez anos, e que seria também o primeiro longa-metragem da Marvel com uma protagonista feminina: Capitã Marvel. Entre os dois filmes, tivemos o lançamento de Homem-Formiga e a Vespa, um filme de escopo menor mas com sua devida importância, que manteve o público atento e ansioso enquanto aguardavam a chegada de Carol Danvers. Por fim, Capitã Marvel chegou aos cinemas com a missão de introduzir Carol ao MCU e preparar o terreno para Vingadores: Ultimato, o grande encerramento da Fase 3 e um novo início para a Marvel nos cinemas. A missão que foi dada à Carol Danvers foi cumprida com sucesso, em um filme que não é perfeito mas mantém o padrão de qualidade da Marvel visto nos últimos anos.

O longa começa com uma singela homenagem à Stan Lee, sendo Capitã Marvel o primeiro filme da Marvel a ser lançado após o falecimento do mesmo, em novembro de 2018. A partir daí, de forma lenta, vemos a introdução de Carol (aqui chamada de Vers) como membro da Starforce no planeta Hala, capital do Império Kree, e cria-se um ar de mistério em relação à ela. A narrativa começa a caminhar de forma segura e constante à partir do momento em que, após uma breve cena de luta e fuga, ela acaba caindo na Terra e se envolve com a S.H.I.E.L.D. no meio de uma luta intergaláctica. Assim, a história se desenvolve num ritmo que mantém o espectador interessado enquanto assistimos Carol descobrir aos poucos fatos sobre seu passado e sua história, bem como sua herança no planeta Terra. A atuação de Brie Larson como Capitã Marvel é boa, porém nada surpreendente; a atriz entrega uma heroína em formação confusa com seu passado e com um forte senso de justiça, que acaba brilhando mais quando divide a tela com Nick Fury (Samuel L. Jackson). A química entre os dois é fantástica, em sua maioria graças ao carisma e senso de humor de Fury, que se desenvolve de forma fantástica e acaba dando uma ideia de como o personagem se tornou o homem sério e profissional que vemos em Homem de Ferro, muitos anos depois.

Carol e Fury são responsáveis por alguns dos melhores diálogos do filme

As demais atuações do filme não chegam a surpreender, mas realizam seu papel. Algumas delas foram Jude Law como Yon-Rogg, que não é um vilão assustador ou remotamente intimidador, permanecendo no clichê de “vilão que se importa com o protagonista”; Clark Gregg retornando ao papel de Phil Coulson, no início de sua carreira na S.H.I.E.L.D.; Lashana Lynch como Maria Rambeau, colega de Carol e uma grande força feminina no filme e, por fim, Ben Mendelsohn como Talos, o Skrull mais amigável no MCU, que entrega uma atuação mais profunda, inclusive diferenciando as versões humana e Skrull de seu personagem pelo sotaque utilizado em cada uma delas. Além disso, é importante citar a participação de Goose, a “gata alienígena” que é parceira dos heróis e peça importante no desenvolvimento final da trama!

Os efeitos visuais são de grande qualidade, como já esperado de um filme da Marvel, principalmente nas cenas onde o poder de Carol é liberado. Ver a personagem brilhando e lançando rajadas de fótons pelas mãos é de encher os olhos, bem como todo o cenário alienígena visto no filme. As cenas de luta, por sua vez, sofrem de altos e baixos constantes: as lutas mano a mano não possuem impacto e a luta final contra Yon-Rogg é desapontadora. Já a luta de Maria Rambeau contra Minn-Erva dentro das naves é absolutamente primorosa, com grandes influências das lutas de nave de Star Wars, desde a edição e a trilha sonora usadas no momento até na comemoração de Rambeau, com um grito de alegria semelhante aos dados pelos pilotos da Resistência. A luta de Carol contra seus antigos parceiros da Starforce, dentro da nave laboratório de Mar-Vell, é escura e confusa; não dá para reconhecer nenhum personagem específico naquela confusão com exceção da própria Carol, cuja roupa vermelha e azul já destoa das cores padrão do traje da Starforce, verde e prateado. Por fim, as cenas onde a Capitã Marvel testa seus poderes, brilhando com puro poder e derrotando a Suprema Inteligência, além de destruir os mísseis balísticos de Ronan, o Acusador, são alguns dos pontos altos de qualidade visual e umas das melhores cenas do filme inteiro.

Os poderes da Capitã Marvel finalmente são liberados

É impossível falar de Capitã Marvel e não correlacionar o longa-metragem ao feminismo. O primeiro filme da Marvel com uma heroína como protagonista foi lançado depois de Mulher-Maravilha, que teve a mesma marca no novo universo cinematográfico da DC. Ambas carregaram o peso das críticas e deboches por parte de “fãs” preconceituosos que proferiram ofensas na internet, minimizando a importância da representatividade e do poder feminino. Capitã Marvel, inclusive, chegou a receber manchetes no Brasil de “quem lacra não lucra” e “filme pode ser o primeiro fracasso da Marvel nos cinemas”, simplesmente por trazer uma heroína mais poderosa que boa parte dos heróis já apresentados e que fará parte do pivô de ataque ao vilão Thanos. E, contrariando estes ataques preconceituosos, Capitã Marvel teve a segunda maior estreia da Marvel nos EUA, perdendo apenas para Vingadores: Guerra Infinita.

Carol com seu traje final de Capitã Marvel, trocando as cores do traje original da Starforce

Brie Larson ainda possui um longo caminho a trilhar como Carol Danvers, mas seu filme de estreia com certeza é uma boa promessa do potencial da atriz no MCU. A cena pós-créditos principal de Capitã Marvel deixa todos em um frenesi de ansiedade, vendo a reunião da heroína com os heróis que sobreviveram à Guerra Infinita, e a formação do time que deve dar início ao contra-ataque dos Vingadores. Carol terá grande importância em Vingadores: Ultimato, e tudo que Brie foi capaz de fazer em Capitã Marvel deve ser maximizado durante sua integração ao resto do time dos Vingadores.

NOTA: 4,5/5


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