Review | Rascal Does Not Dream of Bunny Girl Senpai

Review | Rascal Does Not Dream of Bunny Girl Senpai

O que passaria pela sua mente se você estivesse numa biblioteca e, de repente, visse uma adolescente vestida de coelhinha erótica?

Esta é uma das primeiras cenas que vemos em Seishun Buta Yarou wa Bunny Girl Senpai no Yume wo Minai (Rascal Does Not Dream of Bunny Girl Senpai), adaptação em anime da série de light novel com o mesmo nome, feita pela CloverWorks e exibida no Japão entre outubro e dezembro de 2018. Bunny Girl Senpai, para evitar a fadiga, lança um bait para o espectador na cena mencionada no início do texto. Sem ter noção do enredo da obra, é fácil suspeitar que se trate de um ecchi (obra com conteúdo sensual porém nada explícito), o que pode afastar um espectador em potencial do resto da história. Porém, Bunny Girl Senpai é bem mais do que uma mera cena ecchi.

O enredo acompanha Azusagawa Sakuta, um estudante do ensino médio que encontra sua senpai (aluna mais velha) de escola, Sakurajima Mai, vestida de coelhinha erótica dentro de uma biblioteca. A menina revela que está passando por uma situação onde ninguém consegue enxergá-la (estranho, né?), por isso usa as roupas extravagantes, para chocar quem enxergá-la e saber que foi vista por alguém. Assim, Sakuta decide ajudar Mai a resolver seu “problema”, que mais tarde seria explicado como sendo um caso de “Síndrome de Adolescência“, e acaba se apaixonando pela garota. Os dois iniciam um relacionamento um tanto desajeitado, e até aí estaria tudo bem se várias outras pessoas ao redor de Sakura, incluindo sua própria irmã no passado, não começassem a passar por problemas semelhantes, todos rotulados como “Síndrome da Adolescência”. Assim, o casal Sakuta e Mai acabam se envolvendo com outros casos do gênero e a história se desenvolve por 12 episódios.

Sakuta é um protagonista que divide opiniões. Há quem ache-o insuportável, sem-graça e insípido; outros defendem que ele é apenas desinteressado e relaxado. O fato é que os acontecimentos do anime envolvem Sakuta sem que ele queira, de fato, ser envolvido. Isso faz com que ele seja “obrigado” a ajudar as pessoas, já que entre elas estão sua irmã, sua melhor amiga, sua colega do trabalho, a irmã de sua namorada… Por algum motivo, ele é praticamente o único que consegue ver a “Síndrome” nestas pessoas e ajudá-las a resolver, logo, ele precisa ajudá-las. Um dos pontos altos de Sakuta é seu relacionamento com Mai, recheado de conversas divertidas, respostas ácidas de Mai para as bobagens de Sakuta e a tensão erótica sempre que Sakuta faz algum comentário de teor sexual. Mai, que além de estudante é atriz e está constantemente ocupada com a carreira, muitas vezes vê Sakuta como um bobão tarado, mas ela nutre um sentimento real por ele e isso inclusive influencia no crescimento da personagem, que se torna mais passional e sincera com o passar dos episódios.

Sobre o enredo, a história é relativamente simples, porém um tanto complexa. Toda a obra gira em torno da “Síndrome da Adolescência”; vemos pessoas diferentes, formas de manifestação da “Síndrome” diferentes e consequências diferentes para os afetados. Mas o que é a tal “Síndrome”? De forma resumida, é uma manifestação através de fenômenos que desafiam as leis da física dos problemas, dramas e sufocos que os adolescentes passam durante esta fase da vida. Essa manifestação acaba sendo sobrenatural e assombra a vítima, afetando a ela e o mundo ao redor. Por exemplo, no caso de Mai, que é exibido já no primeiro episódio: ela era uma atriz, constantemente assediada pela mídia, com a vida exposta e sem direito de privacidade. Sempre nos holofotes, ela começou a desejar que ficasse invisível, sumir, ficar em paz… E ela se tornou literalmente invisível para todos, inclusive sua própria mãe, e as pessoas começaram a esquecer que ela existia. Se não fosse por Sakuta, que fez a garota enfrentar seus sentimentos negativos e superá-los, Mai teria se tornado um fantasma. É assim que funciona a “Síndrome da Adolescência”, e a cereja do bolo são as explicações baseadas em conceitos de Física para tentar explicar as manifestações. “O Gato de Schrödinger“, por exemplo, chega a ser mencionado por uma personagem numa tentativa de explicar para Sakuta sobre uma determinada manifestação, mas nunca é confirmado se estas explicações são certas, o que abre espaço para o espectador especular e imaginar.

A qualidade da animação não deixa a desejar, já que pela ausência de grandes cenas de ação, não foi necessário exagerar. A abertura e o encerramento da obra são extremamente “chicletes”; o tipo de música de anime que faz o espectador cantarolar pelo resto do dia e ficar com trechos específicos na cabeça, principalmente na abertura. O encerramento traz as seiyuus (voice actors) das personagens femininas cantando uma canção lenta e com um feeling misterioso, num jeito sussurrado, que torna a música excêntrica e charmosa, a mesma sensação que temos assistindo a obra em si.

Uma mistura de drama, comédia e slice of life, Bunny Girl Senpai trabalha bem os personagens e suas relações, dando mais atenção para os laços formados entre eles do que os personagens individuais em si. De certa forma é fácil se afeiçoar à eles, quando vemos suas “Síndromes”, seus sofrimentos e suas superações. Há um quê de mistério no ar que se acentua conforme a história progride e os casos vão se desenvolvendo, o que atiça a curiosidade de quem está acompanhando a obra. O principal ponto fraco é o protagonista Sakuta, que age de forma maçante e preguiçosa (o que irrita boa parte dos espectadores) constantemente, apenas se desenvolvendo melhor e demonstrando emoções nos últimos episódios do anime, o que foi um salto… Porém, à essa altura do campeonato, talvez o espectador em potencial já tenha abandonado a obra e perdido esse acontecimento.


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