Review | O Mundo Sombrio de Sabrina

Review | O Mundo Sombrio de Sabrina

Outubro e Halloween são uma combinação aterrorizante de tão comum, e parece ser o momento ideal para o lançamento de séries e filmes de terror. Séries como American Horror Story dedicam episódios especiais à semana do Halloween (a data festiva tem grande influência na trama), e o Netflix aprendeu a aproveitar o feriado dos sustos para lançar suas séries de teor obscuro. A segunda temporada de Stranger Things estreou em 27 de outubro de 2017, e em 2018 a tática se repetiu com duas grandes obras do gênero estreando juntas no dia 26 de outubro de 2018: a segunda temporada de Castlevania (cuja review você pode conferir clicando aqui) e The Chilling Adventures of Sabrina (que em português foi adaptado para O Mundo Sombrio de Sabrina).

O Mundo Sombrio de Sabrina conta com 10 episódios de aproximadamente 50 minutos cada e é baseada na HQ homônima The Chilling Adventures of Sabrina, publicada nos EUA pelo selo Archie Horror (um derivado do selo Archie Comics) desde 2014. A série é um spin-off de Riverdale, outra série de origem da Warner Bros. porém adquirida pelo Netflix. Riverdale e Greendale (a cidade de Sabrina) são cidades próximas, e os eventos que acontecem nelas também são em épocas semelhantes. O escritor das duas séries, Roberto Aguirre-Sacasa, chefe criativo da Archie Comics, revelou que até o momento não haverão crossovers entre as duas séries; ele deseja que ambas tenham identidades próprias e suas próprias regras em seus determinados universos.

Diferente da série de TV “Sabrina, Aprendiz de Feiticeira“, cujo cunho era mais cômico, a HQ aposta no macabro e no obscuro, com referências mais… satânicas. A série do Netflix segue à risca esse sentimento, chegando a chocar um pouco aqueles que estavam acostumados com uma Sabrina “bobinha” e até mesmo rendendo uma advertência para a Netflix pelo uso de imagem de um certo Baphomet presente na série… Parece que um templo satânico não ficou nada feliz com isso.

A residência dos Spellman vista de fora.

A estética sombria da série é um deleite. Florestas, campos de frutas, a residência dos Spellman… As locações de filmagem foram em Vancouver, no Canadá, e todas as cenas ao ar livre abusam da beleza natural e bucólica do lugar. Greendale parece extremamente palpável e charmosa nos anos 70, e eu me flagrei diversas vezes sonhando em frequentar a livraria/cafeteria onde Hilda trabalha. Isso sem mencionar a estética dos personagens: cada um deles tem um quê específico em seus cortes de cabelo, roupas e acessórios que os tornam extremamente únicos e especiais em comparação aos outros.

Kiernan Shipka (que talvez você conheça como a voz original de Jinora, de The Legend of Korra), encarna uma Sabrina repleta de girl power. Sempre questionando as regras da sociedade bruxa e mantendo-se fiel às suas convicções, a personagem tem aquela teimosia charmosa dos protagonistas que lutam por uma causa própria. A pegada feminista é um acerto necessário, considerando a modernidade da série e a sociedade na qual vivemos; ver a ficção adotando uma luta tão importante na realidade e incorporando-a na sua essência é enriquecedor. Lucy Davis e Miranda Otto como Hilda e Zelda, respectivamente, arrasam com uma química tão forte que torna as irmãs insuportavelmente carismáticas. Contudo, a internet entrou em consenso (o que é um milagre): o dono da série é Ambrose Spellman, interpretado por Chance Perdomo e responsável pelas tiradas sarcásticas, o deboche e o fanservice ao andar de robe seminu com uma xícara fumegante nas mãos pela casa inteira. Fora da família Spellman se destacam Michelle Gomez como Lady Satan, a vilã que vira amiga mas continua sendo vilã (o velho conceito de aminimigo, do inglês frenemy) e Richard Coyle na pele de Father Blackwood, líder da Igreja da Noite e da Academia de Artes Ocultas, o típico antagonista poderoso que tenta enfiar o herói numa enrascada mas sempre tem seus planos frustrados no fim.

Miranda Otto e Lucy Davis como as irmãs bruxas Zelda e Hilda Spellman, tias de Sabrina.

A série em si possui um formato misto; há uma história linear sendo contada, mas em alguns episódios temos um pequeno arco de aventura que se inicia e encerra ali mesmo, como o episódio de Batibat, o demônio do sono, que só ocorreu graças à entrada de Sabrina na Academia de Artes Ocultas e pelo Father Blackwood ter lhe entregado um artefato de seu pai como um “teste”. Esse formato pode ser um pouco confuso, quando por exemplo Sabrina tem uma relação conturbada com as Weird Sisters mas, em certos episódios, estas a ajudam como se não houvessem sentimentos negativos entre elas. Além disso, certos fatos são deixados de lado durante alguns episódios de forma que nos surpreendemos quando eles são trazidos de volta no futuro.

Lachlan Watson como Susie, no Especial de Natal.

Um especial de Natal de O Mundo Sombrio de Sabrina foi ao ar em dezembro de 2018; uma aventura que expande o enredo da série após o final da primeira temporada com uma aparição importante e o desenvolvimento de alguns personagens principais. A estética Natalina mistura-se com as tradições de Solstício das bruxas e se encerra com Ambrose lendo A Christmas Carol (Os Fantasmas de Scrooge ou Um Conto de Natal, na adaptação em português), enquanto o ciclo de espera para a segunda temporada da série se inicia.

O Mundo Sombrio de Sabrina é uma série extremamente agradável de se assistir, que não peca em estética ou em atuação. O enredo é repleto de “vai e vem” e pode confundir os espectadores menos atentos, mas a vida de aprendiz de Sabrina está lá, as magias estão lá e o tom macabro torna tudo mais pesado e excitante, despertando a curiosidade até mesmo do espectador mais cético. Qualquer fã vai terminar se assistir a série adicionando o “praise Satan!” de Zelda ao seu repertório de frases.

Só não vai falar isso perto dos seus parentes religiosos, ok?

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