Review | American Horror Story: Apocalypse

Review | American Horror Story: Apocalypse

American Horror Story é uma série da FX, que está no ar desde 2011, criada por Ryan Murphy, também responsável por Glee. Contudo, diferente de sua série “irmã”, AHS (como foi apelidada pelos fãs para evitar a fadiga de falar um nome tão grande) traz um ar mais obscuro, brincando com o suspense, o macabro e o sobrenatural com temporadas independentes que possuem temáticas de terror (como a Murder House, uma casa “assassina”; Coven, um grupo de bruxas; Freakshow, um circo de aberrações; Roanoke, um falso documentário sobre a lenda urbana de Roanoke e várias outras). O que destaca a série em relação à outras de gênero semelhante é o formato e a escolha de elenco, que em sua maioria retornam em diversas temporadas vivendo vários personagens individuais e icônicos. Sarah Paulson e Evan Peters, por exemplo, participaram de todas as temporadas da série até hoje, chegando a interpretar até quatro personagens diferentes na última temporada, Apocalypse. Esta é a oitava temporada da série, e a mais ousada até o momento, realizando o primeiro grande crossover de AHS e canonizando o fato que, apesar de ter temporadas independentes, algumas delas tem ligações e influenciam umas às outras.

AHS: Apocalypse estreou em setembro e chegou ao fim em novembro de 2018, totalizando dez episódios. O marketing foi agressivo ao sempre destacar o fato que Apocalypse era um crossover entre as temporadas Murder House (a primeira) e Coven (a terceira), com referências à Hotel (a quinta) e boas doses de fanservice, além do retorno óbvio de personagens adorados pelos fãs e o retorno de Jessica Lange ao elenco, que saiu da série após a quarta temporada. Logo, Apocalypse estava sendo altamente aguardada pelos fãs, com níveis absurdos de hype e teorias mirabolantes sobre o que Ryan Murphy estaria planejando para aquela que poderia ser uma das temporadas mais incríveis da série… E talvez este tenha sido o problema principal dela.

Cody Fern como Michael Langdon, o Anticristo

A temporada em si foi dividida em presente e passado, além de um futuro alternativo no episódio final. Esse formato nunca foi utilizado em AHS antes, ou seja, foi algo experimental para Ryan Murphy e toda a equipe da série. Porém, foi frustrante ter 70% da temporada composta por flashbacks que, em algumas vezes, nem faziam tanta diferença na história. Apocalypse acompanha vários personagens novos e interessantes quando diversas bombas nucleares explodem no mundo inteiro e estes poucos sortudos acabam sobrevivendo no Outpost 3 (um refúgio subterrâneo de “luxo”). Nisso, Michael Langdon (o Anticristo) é introduzido, e ele parece estar por trás dos lançamentos das bombas e dos refúgios subterrâneos, além de ser o único com conhecimento da situação do mundo atual. Literalmente jogando fora todos os personagens novos adicionados até então, a série introduz as bruxas do Coven, mais precisamente Cordelia, Myrtle e Madison, que chegam ao Outpost 3 para enfrentar Michael, e isso é o pontapé inicial para uma série de flashbacks que contam como o mundo chegou em sua situação caótica atual e como Michael ascendeu como Anticristo, descobrindo seus poderes e se envolvendo com um clã de Feiticeiros (Warlocks), consequentemente aproximando-se das Bruxas, já que estes eram subordinados delas.

Assim, Apocalypse mergulha no passado indiscriminadamente, expandindo as histórias de Murder House (mostrando o crescimento de Michael e as almas presas na casa quando Madison e Behold vão investigar o local) e Coven (com o desenvolvimento da Academia Robicheaux e a chegada de novas bruxas, bem como a ressurreição de bruxas mortas e a revelação do clã de Feiticeiros, como já citado acima), o que é um belo fanservice e uma valorização do enredo já construído pela série ao longo de sua existência.
Por conta do excesso de flashbacks, o encerramento da série foi um tanto corrido, recorrendo ao velho Deus ex machina de viagem no tempo para resolver as coisas. Porém, o final deixa claro o seguinte: “se algo está destinado a acontecer, irá acontecer de qualquer forma. Nada morre, tudo se transforma”. Isso agradou e desagradou os fãs de forma equivalente, encerrando a temporada em aberto e dividindo opiniões com o acontecimento final da série.

Madison (Emma Roberts), Cordelia (Sarah Paulson) e Myrtle (Frances Conroy), o Coven no Outpost 3

O nível das atuações foi absurdamente dedicado. Com atores interpretando até quatro personagens diferentes, os destaques ficam para Sarah Paulson, Frances Conroy e Cody Fern, que carregaram a temporada inteira nas costas e encarnaram as heroínas e o vilão com louvor. O retorno de Jessica Lange para o papel de Constance Langdon, avó de Michael, nos rendeu belas cenas de Constance abatida e perturbada com o comportamento de seu neto demoníaco, com uma química absurda entre Jessica e Cody. Já Kathy Bates cumpriu a cota de personagem bizarro da temporada, interpretando a robô/humana Ms. Mead. Angela Basset retorna nos últimos minutos do último episódio como Marie Laveau para ser totalmente desperdiçada (da mesma forma que Lily Rabe como Misty Day, que gravava outra série ao mesmo tempo e não podia estar sempre presente nos bastidores de Apocalypse) e, por fim, Emma Roberts e Billie Lourd entregam uma Madison debochada mas amadurecida ao final de sua jornada e Mallory, a salvadora da pátria e sucessora de Cordelia como Suprema do Coven, respectivamente.

Billie Lourd como Mallory no Outpost 3

Murphy teve coragem de inovar no formato de sua aclamada série, e isso por si só é algo louvável. Inovar e mudar significa crescimento, e a experiência adquirida com a produção de Apocalypse com certeza influenciará o futuro de American Horror Story como um todo, para o bem… ou para o mal.

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