Crítica | Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

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Crítica | Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald (Fantastic Beasts: The Crimes Of Grindelwald) é sequência direta de “Animais Fantásticos e Onde Habitam” e o décimo filme do universo de Harry Potter, chamado de Wizarding World nos cinemas. Dirigido por David Yates, mesmo responsável pelo seu antecessor e por Ordem da Fênix, Enigma do Príncipe e Relíquias da Morte Pt. I e II, o longa dá continuidade aos acontecimentos do primeiro filme, de forma direta, e realiza a transição do enredo para um momento de ápice na história. Repleto de plots, revelações, e pelo menos um ou outro retcon, Os Crimes de Grindelwald é um filme que mantém o espectador apreensivo e focado do início ao fim.

O filme se inicia quase exatamente onde Animais Fantásticos e Onde Habitam termina; Grindelwald permanece preso no Ministério da Magia Americano e precisa ser transportado para a Europa, onde deve responder por seus crimes. Contudo, uma reviravolta acompanhada de uma perseguição veloz joga tudo para o alto e dá início aos acontecimentos que regem o filme: Grindelwald está à solta, e ele está juntando seguidores, tornando-se cada vez mais influente e perigoso. Newt, Tina, Queenie e Jacob acabam se reunindo mas separam-se por motivos maiores; o quarteto não funciona mais unido, já que cada um acaba tendo que perseguir sua jornada pessoal. Queenie, perdida e seduzida, acaba unindo-se à Grindelwald enquanto Jacob, Newt e Tina procuram cumprir a missão dada por Dumbledore de encontrar e proteger Credence, que sobreviveu ao ataque sofrido no primeiro filme da franquia e agora persegue seu passado.

A revelação da Maledictus Nagini, que viria a se tornar a cobra companheira de Voldemort e uma de suas Horcruxes, acaba perdendo o impacto que poderia ter por já ter sido revelada nos trailers, e a personagem permanece sob a sombra de Credence na maior parte do tempo. Personagens como Teseu Scamander, Leta Lestrange, Nicolau Flamel e Dumbledore são alguns dos grandes destaques, por terem sua primeira aparição e seu desenvolvimento base neste filme. Os Crimes de Grindelwald possui mais personagens chave do que seu antecessor, e precisa de mais tempo para eles, o que é dado da melhor forma possível, ainda que nem todos tenham tido o tempo em tela que mereciam.

Jude Law como Alvo Dumbledore, professor de Defesa contra as Artes das Trevas

As atuações do elenco estão impecáveis; desde o vilão Grindelwald até a misteriosa e atormentada Leta Lestrange. Johnny Depp abandona a maior parte de seus trejeitos costumeiros para criar um vilão persuasivo, calmo e confiante. Grindelwald esbanja charme e conquista tudo e todos à sua volta, com seu discurso inteligente e deturpado, atraindo bruxos e bruxas para sua causa. Jude Law como Dumbledore também não decepciona, sempre emitindo seu ar inteligente e sincero, com um sorriso no canto da boca. Ver sua química com Eddie Redmayne, nosso Newt Scamander, é ver a forma com que Dumbledore interagia com Harry, de forma fraternal e cuidadosa mas sem perder a pose de professor, de alguém com sabedoria superior. Zoë Kravitz como Leta Lestrange é atormentada, cansada e perturbada pelos fantasmas de seu passado, por seu comportamento e, até o encerramento de seu arco, a personagem surpreende com uma profundidade que nos faz sentir dó da moça Lestrange, cujo sobrenome pode ter inspirado sentimentos negativos nos espectadores desde sua menção em Animais Fantásticos e Onde Habitam.

James Newton Howard é o responsável novamente pela trilha sonora, que, da mesma forma que no primeiro filme, não surpreende. Nenhum dos temas apresentados é particularmente encantador, nenhuma das músicas apresentadas no filme se prende à cabeça do espectador, fazendo-o cantarolar depois de sair da sala do cinema. Diferente de sua franquia mãe, Harry Potter, que trouxe diversos temas específicos que até hoje podem ser reconhecidos pelos fãs nos primeiros acordes. James Newton Howard parece não querer se arriscar em temas mais específicos, e prefere manter-se em algo comum para filmes de fantasia. Um tanto decepcionante, mas algo que sempre pode ser melhorado em filmes futuros da saga.

Grindelwald e Rosier

O filme tem um ritmo estranho, às vezes corrido, outras vezes lento, com transições e cortes às vezes feitos de forma muito crua que exigiam alguns segundos para que o espectador se localizasse na situação à que assistia. Além disso, a obra está repleta de plots e revelações que podem confundir o espectador que ousar dar uma olhada no relógio para conferir quanto tempo ainda há de filme. Existe uma sub-narrativa envolvendo Leta Lestrange e Credence que é construída e desconstruída durante o filme, e o mistério sobre a origem do garoto é apenas revelado no último minuto de filme, como um Deus ex-machina criado por Rowling para aparar as pontas soltas e fazer um enredo mais redondo. Definitivamente será necessário um retcon para esclarecer essa revelação, bem como a explicação de como Minerva McGonagall está presente em Hogwarts na mesma época de Os Crimes de Grindelwald, já atuando como professora, quando esta informação não bate com a idade de Minerva como ela nos é apresentada durante Harry Potter. Rowling sempre pareceu ter grande domínio de seu universo, fazendo ligações entre a franquia principal e a série prequel Animais Fantásticos, mas estas quebras de informação podem ser um tanto frustrantes para quem acompanha a franquia há mais tempo e leva em consideração os pequenos detalhes com importância.

NOTA: 4,5/5