Review | Little Witch Academia em mangá

Review | Little Witch Academia em mangá

“Basta estender a mão, que vai começar a minha história…!!”

Atsuko Kagari, também chamada de Akko, era só uma criança quando se encantou por uma bruxa chamada Shiny Chariot e seus truques mágicos. Apaixonada por magia, a menina decide entrar numa academia para bruxas, mesmo sem ter nascido como uma, e aprender a magia da forma mais humilde e esforçada possível, sonhando um dia ser tão incrível quanto Chariot, sua inspiração. E é assim que começa sua história; é assim que começa Little Witch Academia.

Little Witch Academia é uma animação original criada por Yoh Yoshinari em parceria com o Studio TRIGGER e disponível no Netflix como obra original. Com dois OVAs, um jogo e uma temporada em anime, a obra conquista pela inocência e o brilho com que representa a história de jovens bruxas aprendendo a usar magia e desenvolvendo laços de amizade em um mundo fantasioso. Suas personagens, em especial a protagonista Akko, são carismáticas e divertidas, apaixonantes e encantadoras; e são elas, em sintonia com o mundo mágico em que vivem, que irão cativar você. Porém, não é sobre a obra original que falaremos aqui, e sim sobre sua adaptação em mangá, em lançamento no Brasil pela editora JBC.

O mangá de Little Witch Academia é uma adaptação da animação de 12 episódios, algo que não é muito comum nessa indústria japonesa de entretenimento. Geralmente são os mangás e graphic novels, até mesmo visual novels, que recebem adaptações em anime graças à fama da obra original, mas Little Witch Academia percorreu o caminho oposto. O responsável pela adaptação, Keisuke Sato, deixa claro no primeiro volume que sua meta não era adaptar 100% da obra original, e sim adaptá-la e adicionar novos elementos de história para instigar a curiosidade tanto de quem não conhece a obra quanto de quem já assistiu as animações.

Partindo deste princípio, o primeiro volume do mangá nos introduz ao início da jornada de Akko e termina pouco antes do roubo da Pedra Mágica. Cobrindo os fatos que acontecem na animação original, ele também adiciona detalhes e fatos interessantes que expandem o universo da obra, como a revelação da mãe de Sucy Manbavaran e um pouco da história da personagem, totalmente desconhecida na obra animada. Diana também parece mais interessante no mangá, perdendo um pouco o posto de vilã e ganhando mais sensibilidade, ainda mantendo a pose de “aluna perfeita”. Amanda, Jasminka e Constanze ganham mais destaque também, o que é ótimo, considerando que são personagens secundárias tão charmosas e adoráveis quanto Akko, Sucy e Lotte, as principais heroínas da obra.

Uma sensação que tive ao assistir a animação foi que, algumas vezes, os episódios pareciam “soltos” uns dos outros quando retratavam o cotidiano das bruxinhas. Conforme a obra se aproximava do clímax, essa sensação foi desaparecendo, já que os episódios tinham um objetivo em comum: realizar o plot twist e resolvê-lo para terminar em um final feliz. No mangá, desde o início, a história soa mais linear, com referências à capítulos passados. O formato do mangá pode ter facilitado a linearidade em comparação ao formato animado, porém o mérito também pertence ao escritor responsável pela adaptação e seu esforço em expandir ainda mais a história.

Por fim, o traço do autor. A animação de Little Witch Academia é fluída e coloridíssima, repleta de brilhos, luzes e espetáculos visuais que representam a magia presente. O mangá tenta replicar essa fluidez e exagero, mas o resultado é uma confusão sem tamanho nas cenas de ação que me fazia parar por mais de um minuto observando a página, tentando entender o que diabos estava acontecendo. Em cenas normais, o traço do autor consegue brincar com a fluidez proposta, principalmente nas expressões faciais e corporais, mas as cenas de muita ação são uma cacofonia visual que não chega a ser agonizante ou repulsiva, mas é confusa, com certeza.

O primeiro volume do mangá é incrível, tanto para aqueles que nunca consumiram a obra original quanto para aqueles que já conhecem a história das bruxinhas e querem voltar para a Academia Luna Nova. Há conteúdo novo para ambos os públicos se divertirem ao acompanhar a jornada de Atsuko Kagari e seu sonho de se tornar uma bruxa tão incrível quanto seu ídolo de infância, a espetacular Shiny Chariot.

Little Witch Academia, o mangá, está sendo comercializado no Brasil pela editora JBC.

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