Review | Darling in the FranXX

Review | Darling in the FranXX

Você provavelmente já ouviu falar de Darling in the FranXX, mas através de apelidos e chacotas. “Ecchi de mecha”, “cópia de Evangelion”, “o anime dos robôs com peitos”… A primeira impressão que DarliFra (diminutivo criado pelo fandom) deixa não é muito boa, mas a obra original do Studio Trigger com o CloverWorks vai muito além das aparências e tem tantas camadas de metáforas que é impossível ignorá-lo quando a obra se desenvolve.

Darling in the FranXX nos joga em um mundo pós-apocalíptico sem muitas explicações; a base da história nos mostra uma terra desolada onde crianças chamadas de Parasitas pilotam mechas que possuem formas femininas, fazendo isso em casais. Comandados por uma organização misteriosa chamada APE, eles enfrentam monstros gigantescos chamados Urrosauros (na legenda oficial do Crunchyroll) que ameaçam a paz da humanidade, refugiada embaixo da terra em gigantescas catacumbas tecnológicas. Neste ambiente conhecemos Hiro, o protagonista problemático que não consegue pilotar um FranXX com nenhuma menina, e Zero Two, a garota de cabelo rosa espirituosa e envolta em mistério, conhecida por matar todos os seus parceiros de FranXX. Vários outros personagens, em sua maioria Parasitas, são apresentados no decorrer da série, que se expande e subverte com sutileza em uma narrativa além do espaço-tempo.

DarliFra engloba vários assuntos, mas seu cerne é uma história de amor e crescimento. Hiro e Zero Two sofrem e se amam com um quê de Romeu e Julieta, um amor proibido. Porém, o universo se encarrega de jogá-los nos braços um do outro e passamos a acreditar que os dois personagens são almas gêmeas pelas coincidências divinas que os mantém conectados. Este relacionamento ligado pelos fios do destino é o que leva a história adiante, influenciando o destino da humanidade e do planeta Terra de forma definitiva. Em paralelo, os Parasitas do Esquadrão 13, amigos de Hiro e de Zero Two, são desenvolvidos e suas pequenas tramas se ramificam, junto com seu desejo de sobrevivência e de descobrimento. Várias facetas do universo pós-apocalíptico podem ser vistas: o ponto de vista das crianças inocentes, onde o espectador se encaixa junto; os adultos misteriosos que sempre tem certeza do que estão fazendo; os monstros silenciosos e ameaçadores… E, por fim, a ambientação sórdida, composta por terras áridas, grandes prédios blindados e a representação de um lar para as crianças, a gaiola na qual são mantidos quando não estão arriscando suas vidas contra os Urrosauros.

Forçadas a defender uma figura autoritária desconhecida chamada apenas de “Papai”, as crianças Parasitas são criadas sem família, dentro de laboratórios como ratos de testes. Nenhum tipo de afeto é demonstrado à eles, que crescem e alcançam a adolescência para se tornarem máquinas de guerra obedientes. É com o relacionamento de Hiro e Zero Two que o Esquadrão 13 descobre as emoções humanas e é estimulado a perguntar e experimentar. É nesta “revolta” que o clímax do anime explode, e plot twists em sequência carregam a obra até seu final.

Numa crescente, DarliFra parece ser um ecchi em seu início, metamorfoseando em um anime “de mecha” e por fim florescendo para o sci-fi. Essa mutação de estilo durante seu desenvolvimento pode ser confusa e desagradar os adeptos da regra dos “três episódios”, pois estes só terão um pequeno gosto de todo o potencial que DarliFra tinha a oferecer. É controverso se este traço do anime é favorável ou não ao seu crescimento, mas ele é inegável: Darling in the FranXX é um anime de fases.

O fato de ser uma obra original, que não é adaptação de nenhuma outra, pode demonstrar a confiança que os estúdios possuíam no potencial da obra. O mangá começou a ser serializado após o lançamento do anime, que foi um dos destaques da temporada no Crunchyroll graças à qualidade e a polêmica, que insistiu em taxar Darling in the FranXX como uma cópia arrogante de Evangelion. Isso despertou curiosidade nas pessoas que estavam por fora do fandom, de forma parecida com Game of Thrones, mas numa escala menor. O burburinho de cada novo episódio lançado atraía quem não acompanhava a obra, o que fazia sua popularidade subir, pelo bem ou pelo mal.

É injusto usar Evangelion, um clássico e referência da cultura pop, como base de crítica e comparação para rebaixar DarliFra. As duas obras possuem algumas semelhanças, visto que parte da equipe do Studio Trigger veio do Gainax, estúdio que trouxe Evangelion à vida. Logo, a influência é compreensível. Contudo, as duas obras são distintas e merecem reconhecimento por seus devidos valores. Darling in the FranXX é moderno e sensível, tocante e cheio de determinação. Às vezes exagerado, às vezes revoltante… Porém, sempre cheio de identidade.

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