Review | God of War (2018)

Review | God of War (2018)

Santa Monica Studio teve 8 anos para desenvolver um sucessor à altura de God of War III, e o medo e insegurança pairavam sob todos os fãs da franquia. Para mais onde Kratos poderia ir depois de seu desfecho épico? O que mais ele iria querer após concluir sua jornada de vingança contra todos aqueles que o traíram? Quanto mais a comunidade procurava pistas e teorizava sobre um novo jogo da série o tempo passava, até que God of War: Ascension foi anunciado! Este, na verdade, tratava-se de uma prequela da jornada do espartano, e apesar de não levar a história adiante e nem acrescentar em muita coisa, foi um jogo importante para a comunidade brasileira, sendo o primeiro game da saga dublado totalmente em Português Brasileiro. O responsável por isso foi Ricardo Juarez, que encarnou Kratos para a nossa língua puxando toda a fúria e revolta para o público brasileiro.

Esperando desde 2010, Kratos retorna à casa com uma nova jornada e um novo estigma. Depois de muitos rumores entre a comunidade, um deles foi confirmado com o anúncio de um novo game, e o nosso deus grego realmente iria explorar os horizontes de Asgard na mitologia nórdica. Muito mais velho e experiente, este novo Kratos passava mais do que fúria e sede de sangue; ele passa um homem angustiado com seu passado e agora com um filho para educar nas artes da caça e sobrevivência. Atreus é curioso e astuto, mas não deixa de ter a inocência de uma criança; apesar de pegar muito rápido o ritmo de tudo, ele ainda acredita que tudo pode ter um final onde o certo, o bem e a verdade prevalecerão perante o errado, o mal e a mentira. Cabe a Kratos mostrar como o mundo, principalmente dos deuses, não é tão preto no branco ao menino.

Você controlará Kratos do começo ao fim da jornada, mas Atreus estará como seu escudeiro, sempre participando dos combates e resoluções de puzzles. Mas apesar de ser um NPC, você tem um controle parcial sobre ele, dando algumas ordens para o uso de seu arco e flecha e ativação de suas magias. Além disso, ele estará tomando conta de seu pai, o prevenindo de ataques iminentes vindos por trás ou a necessidade de você consumir itens de cura. Esse tipo de suporte pode ser ampliado conforme melhorias são feitas nos equipamentos de Atreus.

Todo esse suporte vem para incrementar o novo sistema de combate desenvolvido para este novo título, onde a visão acima de ombro foi adotada invés da câmera fixa e panorâmica. Essa nova forma de “ver” os combates do gênero hack’n slash tem a ver com todo esse novo movimento entre os jogos, de acrescentar e adotar elementos da série de jogos “Souls”, influenciando diretamente o estúdio de como poderiam evoluir todo o sistema de combate da série para algo tão bom e recompensador quanto os anteriores. Apesar de bem mais lento do que outros hack’n slash encontrados no mercado como Devil May Cry, Bayonetta, NieR: Automata e Darksiders, God of War preza por um outro ritmo e dinâmica aonde a realização de parry, rolamentos e a análise rápida de cada situação são primordiais.

Além do já citado arco e flecha de Atreus, Kratos possui um machado denominado de Leviathan, sobre o qual você descobrirá mais detalhes durante a jornada. Seu arsenal não vai muito além de duas armas, um escudo e o arco do garoto, mas em cada arma você poderá equipar runas específicas as quais lhe fornecerão golpes únicos, que ainda podem ser melhorados com o uso de experiência adquirida, compensando a ausência de mais armas. Uma árvore de habilidades estará presente para você destravar mais movimentos de combates, seja com algumas das armas de Kratos ou do garoto.

Uma das novas mecânicas adquiridas para este novo jogo é a do uso de armaduras. Haverá sets inteiros, os quais você poderá escolher e melhorar, sendo separados por cintura, braços e peitoral. Todo tipo de forja e melhora desses e outros equipamentos poderão ser feitos com a ajuda de Bork e Sindri, irmãos ferreiros que estão dispostos a lhe ajudar em nome de uma oportunidade de realizar um novo trabalho. Conforme eles se relacionam em nossa aventura, eles irão achar brechas para pedir favores, os quais nos cabem explorar áreas fora do trajeto principal da história. Esse tipo de side quest irá aparecer em um número bem aceitável, sem entupir seu mapa de pequenos ícones. Você será incentivado a realizá-las caso queira se aprofundar em mais histórias daquele mundo, se inserindo mais nele e podendo ter mais momentos onde Kratos ensinará a seu filho alguma lição valiosa para um guerreiro em treinamento. Caso a dificuldade a qual escolheu esteja desagradando pelo alto nível de desafio, as side quests são altamente recomendadas para adquirir experiência extra e um leque maior de runas e equipamentos.

A dificuldade elevada sempre foi uma estampa da série, até mesmo para o padrão do nível “normal”. Este novo título não foge à regra; caso queira um desafio mais voltado a algo da série “Souls”, o nível mais elevado é altamente recomendado, lhe dando todo o suporte para batalhas de tirar o fôlego. Mas caso queira se adaptar ao novo sistema de combate e suas nuances, mas tendo um desafio, os níveis intermediários são o que você procura. Apesar de você buscar uma experiência mais tranquila, lembre-se que o jogo sempre irá lhe desafiar caso busque caçar o 100%.

Muito mais que um bom combate, temos uma história com várias camadas, graças ao acréscimo de tantos NPCs durante a jornada. Kratos nunca foi muito de se expressar além de seus berros, então todos os outros tem quase o dever de “provocá-lo” a ponto de tirar o que realmente o brutamontes pensa e sente em vários contextos. Com o dever de pai e mestre de Atreus, podemos até ver situações realmente engraçadas ou sensíveis entre eles. Isso tudo somado aos momentos épicos já conhecidos da série nos proporciona uma narrativa de prender na cadeira a cada novo desafio. E sabendo muito bem desse legado, os desenvolvedores souberam como referenciar bem as antigas aventuras do nosso espartano. Diria que God of War está para seus 3 jogos anteriores como Uncharted 4 está para a sua série, se auto-homenageando de forma que todas as aventuras anteriores somaram ao protagonista um amadurecimento para essa nova aventura.

Como a trilogia original possui um tema crescente a cada jogo, que se desenvolvia a cada novo capítulo da jornada de Kratos e conforme sua sede de vingança crescia, neste novo  jogo foi adotada uma nova pegada. Afim de sintonizar com esse novo Kratos mais sereno e centrado, a trilha sonora acompanha a narrativa com um toque mais tribal e vocais mais pesados. Quando necessária, a música irá se destacar, seja em cenas mais tocantes ou brutais. O departamento de sons ambientes não é de impressionar; nada muito relevante que já não tenha sido feito antes.

E por fim temos um dos maiores brasões da série, seus chefes! Muito do “marketing popular” dos primeiros jogos foi feito pelas lutas contra chefes, onde a brutalidade contra criaturas grotescas ou super poderosas se destacavam dentre todos os outros fatores. Lutas como a de Poseidon e seus cavalos em God of War 3 são elogiadas até hoje, tanto por sua estrutura quando pelo nível gráfico requisitado na criação dessa batalha! Como o primeiro jogo de uma possível nova trilogia, não temos realmente a complexidade gráfica exigida durantes as batalhas, mas o impacto se dá claramente pela expêriencia da equipe de lidar com diversos fatores em um único conflito. Temos batalhas com alvos múltiplos, troca constante de cenários, chefes dos mais gigantes aos de pequeno porte, sem contar com a necessidade de assimilar rápido o que está acontecendo para reagir. Quick time events foram trocados por gimmicks, que serão bastante usados em combates específicos, dando ao jogador tempo de se acostumar com as cinemáticas interativas. Apesar desse refinamento, muitos dos chefes foram substituídos por criaturas mais fortes com movimentos idênticos, nos quais só se muda a skin e o elemento em seus golpes, tornando às vezes a tarefa mais fácil ou cansativa.

Em miúdos, podemos dizer que a série se renovou sem precisar de um reboot literal, mas com a ideia de um novo começo respeitando todo o legado já adquirido. É um jogo tanto para novos jogadores quanto para os veteranos de guerra, mas dificilmente agradará a todos. Com um mundo semi-aberto e side quests, Kratos e Atreus realizam uma jornada no mínimo satisfatória para qualquer amante da série. Muitos aspectos antigos foram abandonados para dar espaço para a renovação e evolução da série.

ASPECTOS POSITIVOS:

– Uma jornada a nível da série, com seus momentos e chefes extraordinários.
– Sistema de armaduras e melhorias bem robusto, deixando o jogador decidir como prefere jogar.
– Muito conteúdo para ser explorado durante ou após a campanha principal.

ASPECTOS NEGATIVOS:

– Pouca variedade de chefes, comparado aos jogos anteriores.
– Apesar de raros, há momentos um tanto arrastados, como o final da campanha, assim cansando o jogador.

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