Crítica | Jurassic World – Reino Ameaçado

Longa busca inspiração no passado, mas constrói o futuro da franquia

Crítica | Jurassic World – Reino Ameaçado

Jurassic World – Reino Ameaçado é o mais novo filme da franquia iniciada em 1993, pelas mãos do maestro Steven Spielberg. Um diretor que sabia como ninguém emocionar plateias no mundo inteiro, fosse através do vislumbre de ver um dinossauro de “verdade” pela primeira vez, fosse pela trilha emocionante e que marcou a história do cinema, de John Williams. As sequências eram competentes, mas nunca conseguiram atingir o impacto do original, fazendo a franquia repousar até 2015, quando o mundo foi pego de surpresa com Jurassic World, comandado por Colin Trevorrow.

É interessante ver que Jurassic World nada mais é um do que um “repeteco” dos acontecimentos do primeiro longa, assim como foi Star Wars – O Despertar da Força. Não que isso seja algo ruim, muito pelo contrário, a franquia foi revivida e adquiriu novo fôlego. A resposta do público não me deixa mentir, U$ 1,6 bilhões em bilheteria mundial, a maior de toda a franquia.

O novo filme, “Reino Ameaçado”, assume para si riscos que o primeiro optou por não correr. Aqui acompanhamos novamente Owen (Chris Pratt) e Claire (Bryce Dallas Howard), os novos heróis da franquia, na tentativa de salvar os dinossauros que restaram na ilha nublar, agora à beira da extinção com o despertar de um vulcão a muito tempo adormecido. Para isso, a organização de John Hammond (idealizador do parque) pretende realocar as criaturas para uma nova ilha. As coisas fogem de controle quando um plano muito pior envolvendo os dinossauros se revela, e um novo experimento foge do controle.

De cara o filme foge da fórmula “humanos presos na ilha sendo perseguidos por dinossauros”. Já na cena inicial o diretor J. A. Bayona deixa claro o clima de terror que rodeia o filme, algo muito presente no original. O enredo é nitidamente mais leve e ingênuo em alguns momentos, sem dúvida é um filme menor em sua escala do que o antecessor. Talvez essa mudança de ares acabe por não agradar, principalmente aqueles que adoram ver milhares de dinossauros em tela. Esse tempo já passou, além de participações pontuais de alguns dinossauros que por vezes arrancam gargalhadas do público, o foco fica nas novas ameaças que nascem com a evolução dos experimentos com as criaturas. Nesse ponto o roteiro abre um leque de possibilidades enormes para o futuro da franquia, que volto a frisar, pode afastar o fã mais conservador.

Os efeitos visuais são sempre um vislumbre, nota-se uma evolução com relação ao antecessor. A união de animatrônicos e CGI é a melhor da sétima arte atual. Cada vez mais a sensação de ver um dinossauro em tela é de uma credibilidade absurda. Sobre o recurso 3D, fuja dessa opção, não há nada que justifique o ingresso mais caro.

O elenco de apoio tenta emular a fórmula básica da franquia: criança, especialista em dinossauros e um especialista em hackear qualquer sistema do mundo. Não atrapalha, rendem alguns momentos engraçados, mas no geral deixam a desejar.

Jurassic World – Reino Ameaçado, une o clima de suspense e aventura visto no primeiro longa da franquia, mas vislumbrando sempre o futuro com um enredo que finalmente faz jus ao novo título, “Jurassic World”. De fato, é uma produção isolada do cenário atual, quando vemos filmes de robôs gigantes, super-heróis e futuros distópicos, por todos os lados. A fórmula é a mesma de qualquer outro blockbuster, mas nenhuma outra franquia conseguiu trabalhar com dinossauros tão bem como esta. Mesmo sendo essa ilha isolada em um mundo de arrasa-quarteirão, torçamos para que não tenha o mesmo destino da ilha nublar. Que a emoção de ver dinossauros com a trilha de John Williams seja sempre uma aventura incrível e inovadora.

Nota: 3,5 / 5