Review | O Soldador Subaquático

Um dos quadrinhos mais singelos e emocionantes dos últimos tempos

Review | O Soldador Subaquático

Poucas obras, sejam elas literárias ou audiovisuais, conseguiram me fazer chorar. É muito normal ao ler uma história em quadrinho, principalmente de super-heróis, despertar um sentimento de diversão, por vezes de adrenalina. Mas até hoje nenhuma história em quadrinhos havia conversado tanto com o meu ser interior. A primeira vez que sinto isso é com Soldador Subaquático do autor canadense, sensação do momento, Jeff Lemire.

Lançado em 2016 pela editora Mino, o título autoral do canadense, nos mostra  a história de Jack, um jovem soldador subaquático responsável pela manutenção de uma plataforma petrolífera no litoral da Nova Escócia, no Canadá, e que está à espera do nascimento de seu primeiro filho. Chamado para realizar um serviço de alto risco nas profundezas do oceano, ele vive uma experiência fantástica relacionada à morte de seu pai, também soldador submarino e que faleceu num acidente de trabalho.

Jeff Lemire desenvolve uma jornada que nos leva juntamente com o protagonista a revisitar os fantasmas do seu passado. A adoração de Jack pelo pai é algo comum entre garotos, à figura paterna sempre é para nós como um super-herói de Gibi. Mesmo estando nossos pais errados ou não, o pai sempre será um “modelo” para os meninos.  É importante destacar o outro lado, a mãe. Aqui a figura materna é apresentada tanto do ponto de vista da mãe de Jack, quanto de sua esposa, ambas se completam e compactuam do mesmo drama de não entender o comportamento omisso de seus companheiros diante das responsabilidades.

Jack (protagonista) e sua esposa Susan.

Conforme a trama vai avançando o autor adiciona elementos surreais à trama, parafraseando Damon Lindelof na introdução do encadernado, ao melhor estilo “Além da Imaginação”. Jack cada vez mais vai se tornando o que um dia foi seu pai, ficando preso até mesmo ao trabalho de soldador subaquático, que assim como seu pai que mergulhava em busca de algo valioso para sua loja de penhores, agora mergulha cada vez mais fundo em busca de respostas sobre esse passado que tanto o assombra.  E conforme Lemire avança para o clímax, ele nos inunda com flashbacks e viagens temporais, chegando a confundir o leitor em certos momentos sobre quem é o pai e o filho.

A arte que fica a cargo do próprio autor, certamente não está à altura dos grandes nomes da indústria. Os traços de Lemire são mais experimentais, mas possuem uma boa narrativa visual, conseguindo guiar de forma espetacular o olhar do leitor. O autor consegue expressar personagens frágeis através do seu desenho, o olhar profundo de Jack a cada quadro, por exemplo, nos faz ter pena e criar um vínculo maior com o mesmo.

É impossível não se importar com os personagens que o autor nos apresenta. Como dito antes, é uma trama extremamente emocional, com forte apelo familiar. E conforme passamos a perceber o porquê da inquietação de Jack com relação à figura fantasmagórica de seu pai, mais sentimos pena do próprio.

Ao final muitos devem sentir a emoção se traduzir em alguma reação corpórea, seja uma lágrima no canto do olho ou até mesmo o famoso “nó na garganta”. Se não for o seu caso, procure um médico rápido. Brincadeiras a parte… Você precisa ter Jeff Lemire na sua estante, fique avisado.

NOTA: 4,5/5

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